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Ex-ministros da Saúde confirmam a CPI sabotagem de Bolsonaro na pandemia

Mais do que revelador, o depoimento do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta confirmou tudo aquilo que a imprensa já divulgou e que os críticos, na política e fora dela, já apontaram. A importância do depoimento de Mandetta à CPI da Covid, no Senado, na terça (4), veio com a autoridade de quem estava lá no comando do Ministério da Saúde. Apontou e reafirmou várias das ações e omissões do governo, especialmente de Bolsonaro, a favor da pandemia e de seu descontrole. A CPI investiga a responsabilidade do governo na tragédia da pandemia.


As diversas ocorrências destacadas pelo ex-ministro ofereceram uma espécie de roteiro para a CPI. Estamos tão acostumados a ver e ouvir os arroubos e trapalhadas deliberadas de Bolsonaro que perdemos a noção do tamanho do estrago provocado por ele. E até das causas que levaram o país a essa tragédia de mais de 400 mil mortes, até o momento.

Mandetta e Teich expuseram à comissão as omissões de Bolsonaro na pandemia (Jefferson Rudy/Agência Senado + Marcelo Camargo/Agência Brasil)


O ex-ministro confirmou o negacionismo, a sabotagem, tentativas de mudar a atuação do Ministério da Saúde sobre isolamento social, uso de máscaras. E mais, de inclusão de medicamentos não comprovados, como a hidroxicloroquina. Não satisfeito, Bolsonaro tentou inscrever uma mentira na bula desse medicamento, incluindo sua indicação para a Covid.


Anvisa também disse não ao presidente


A confirmação foi de Mandetta, com acrescento de que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se negou a fazê-lo. Passaram-se 13 meses de pandemia, com 410 mil mortos, o presidente e seguidores continuam “prescrevendo” esses fármacos, o chamado ‘kit ilusão” nas palavras do ex-ministro Mandetta. As mesmas razões foram apresentadas pelo ministro que o sucedeu, Nelson Teich, que ficou apenas 29 dias no cargo. A diferença é que, em seu caso, ele pediu demissão, conforme lembrou à CPI nesta quarta (5).


Por conta dessas várias ocorrências, Mandetta acabou sendo demitido, mas, dias antes, enviou ao presidente uma carta alertando-o para a gravidade do quadro que ainda estava se desenhando. Essa foi, talvez, a principal novidade e indício apresentado por ele e que poderá desdobrar em responsabilidades para Bolsonaro.


Na carta, o então ministro disse que recomendou, expressamente, ao presidente rever o posicionamento adotado, acompanhando as recomendações do Ministério da Saúde. “… Uma vez que a adoção de medidas em sentido contrário poderá gerar colapso do sistema de saúde e gravíssimas consequências à saúde da população”. Doze meses depois esse é o quadro de hoje, previsto pelo ex-ministro.


Pazzuelo agora se preocupa com contágio


Além de Mandetta, outro ex-ministro conseguiu criar um fato sem comparecer à CPI, o general Eduardo Pazzuelo. Ele comunicou ao comando da CPI que não poderia comparecer, nesta quarta (5), porque teria tido contato com assessores infectados pelo vírus. Como ironizou o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB/AL), trata-se de um caso de conversão.


A crítica referia-se ao fato de que, há uma semana, o general passeava sem máscaras por um shopping e, agora, manifesta cuidados para não comparecer à CPI. Pediu para que fizesse depoimento remoto. Não deu certo; o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD/AM), disse que irá esperar o fim de sua quarentena para ouvir seu depoimento no dia 19. Ganhou mais tempo, mas é uma ‘faca de dois gumes’, pode ser bom ou ruim.


Teich: com cloroquina, eu não fico


Como disse, nesta quarta (5), foi a vez do ex-ministro Nelson Teich dizer que pediu demissão do governo federal no ano passado por não ter tido autonomia à frente da pasta. E que a situação ficou mais evidente com as divergências com o presidente Bolsonaro em torno da hidroxicloroquina. Por isso, Teich ficou apenas 29 dias no cargo, no primeiro semestre de 2020. Não havia, segundo disse à CPI, “autonomia” e “liderança” diante do combate à pandemia.


“[As razões da minha saída] se devem, basicamente, à constatação de que eu não teria a autonomia e a liderança que imaginava indispensáveis ao exercício do cargo. Essa falta de autonomia ficou mais evidente em relação às divergências com o governo quanto à eficácia e extensão do uso do medicamento cloroquina para o tratamento da Covid-19”, afirmou.


Para completar o conjunto da obra, falta o depoimento daquele que, por 10 meses, comandou o Ministério cumprindo a ordem da caserna. Ou seja, “um manda, outro obedece. É simples assim”, como disse o próprio general Pazuello.


LEIA MAIS: Ministro da Saúde reconhece que negacionismo agravou a pandemia


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