Ministro da Saúde reconhece que negacionismo agravou a pandemia

Esse é um dos maiores e permanentes desafios do novo e quarto ministro da Saúde nessa pandemia, Marcelo Queiroga. Em encontro remoto com lideranças municipalistas, entre eles o presidente da Associação Mineira dos Municípios, Julvan Lacerda, ele reconheceu as dificuldades. Queiroga não usou a expressão “negacionismo”, mas a classificou como “falta de conscientização”.


Na reunião, ocorrida na última segunda (19), os prefeitos e dirigentes municipalistas cobraram várias providências do ministro para vencerem a macabra escalada de mortes no país. Para eles, não bastam só vacinas, apesar da lentidão do fornecimento, mas, e principalmente, a necessidade de o governo federal dar o exemplo. Além de comunicar à população sobre a importância de medidas como distanciamento social, uso de máscaras e não promover aglomerações.

Ministro e sua equipe durante reunião remota com dirigentes municipalistas (Reprodução/CNM)


O que disse o ministro? Observou que, desde o 1º dia no cargo (23 de março), tem feito esforço em defesa das medidas, como o uso de máscaras e outras medidas. Reconheceu que não está fácil e que não vai resolver isso na base da lei, mas da conscientização. Foi aí que admitiu que, se houvesse essa consciência, o Brasil não estaria enfrentando o cenário atual.


Veja o que disse o ministro


Vou abrir aqui um aspas para destacar a fala dele. “Se a população estivesse usando máscaras, mantendo o distanciamento, evitando aglomerações, se tivesse um programa de testagem mais adequado, isolamento dos casos positivos e dos seus contactantes, se fizéssemos a disciplina dos transportes urbanos, e para o funcionamento dos setores estratégicos, os senhores podem ter certeza que não estaríamos vivendo o momento que estamos vivendo hoje”, afirmou.


Adiantou que irá fazer campanha de orientação a toda a população. A dificuldade dele é que o principal sabotador dessas medidas é o chefe dele, o presidente Jair Messias Bolsonaro e, por consequência, seus seguidores.


Ainda no encontro, o ministro prometeu mais recursos e vacinas, e ainda fez um alerta grave sobre o que chamou de terceira onda, ou o pós-pandemia. No alerta dele, o país viverá outros problemas, após a pandemia, como doenças prevalentes, doenças cardiovasculares. Em suas formas aguda e crônica, elas irão pressionar, segundo o ministro, o sistema de saúde, porque essas doenças estão represadas, adiadas por conta da pandemia. E pediu para os prefeitos manterem os leitos habilitados para a demanda reprimida e os impactos pós-covid.


Prefeitos ficaram mais otimistas


Além de Julvan Lacerda, participam do encontro, a equipe do ministro, o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Glademir Aroldi, e outros dirigentes regionais. Julvan é, além de presidente da AMM, vice-presidente nacional da Confederação, e, segundo ele, a pauta dos municípios foi recebida com maior objetividade pela equipe do ministério. “Acendeu uma luzinha de esperança, percebemos uma organização mais integrada, com reconhecimento do momento crítico, estamos sentindo mais firmeza. Vamos continuar essa semana movimentando com outros agentes pra ver se conseguimos amenizar esse difícil momento que estamos vivendo”, disse.


Aroldi reforçou a importância dos municípios no enfrentamento da pandemia e cobrou uma campanha de comunicação do Ministério da Saúde. “Preocupa as indefinições, idas e vindas de decisões e instabilidades dos regramentos a serem aplicados. Medidas de distanciamento sem coordenação e descentralizadas têm sua efetividade limitada. Isolado na ponta, o gestor não está conseguindo fazer frente às medidas necessárias para sairmos deste pico da pandemia”.


E acrescentou: “vínhamos cobrando do governo uma campanha forte e permanente de comunicação em prol da eficácia e da segurança dos imunizantes, bem como em defesa da importância das medidas sanitárias não farmacológicas. Temos observado um progresso nesse sentido, especialmente nos últimos dias, muito por conta do seu trabalho, das suas posições”, disse ao ministro. Os dirigentes municipalistas ainda reivindicaram medicamentos do chamado “kit intubação”, a abertura de novos leitos de UTI entre outras. Também foram discutidas a necessidade de mais recursos para a saúde e a contratação de mais médicos.


Assembleia destinará R$ 33 milhões


A Assembleia Legislativa de Minas vai destinar R$ 33 milhões para hospitais municipais e filantrópicos que atuam no enfrentamento da pandemia de Covid-19 no Estado. O encaminhamento dos recursos será feito por meio da indicação e remanejamento de emendas parlamentares ao orçamento de 2021. Dessa forma, permitirá uma liberação mais rápida do dinheiro para prefeituras e hospitais.


O investimento se tornou possível porque, em 2020, o Estado obteve uma receita maior do que a prevista inicialmente no orçamento, apesar da pandemia. A lei determina que parte desse excesso de receita deve ser aplicada por meio de emendas parlamentares. Diante disso, a Assembleia decidiu destinar esses recursos para a área da saúde.


“São recursos de emendas parlamentares dos 77 deputados estaduais para mais leitos nos hospitais, mais medicamentos, mais equipamentos e mais ajuda para o custeio do atendimento aos doentes”, afirmou o presidente Agostinho Patrus (PV). Segundo ele, os R$ 33 milhões são um aporte inicial, que pode ser ampliado posteriormente.


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