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Zema cobra fim da arapongagem no governo ao novo chefe de Polícia

Disputa de poder grave que beirou o estado policialesco provocou reviravolta na cúpula da segurança pública do governo Zema. Havia membros da Polícia Civil investigando até secretários de estado, membros da Advocacia Geral do Estado, ex-secretários entre outros. Ou seja, um estado paralelo com estrutura para investigar o próprio governo e sem autorização do governador Romeu Zema (Novo).

Zema empossa Joaquim Francisco Neto na chefia da Polícia Civil, foto Gil Leonardi/ImprensaMG


Algumas investigações viraram denúncias, mas o Ministério Público as arquivou, considerando-as sem fundamento e fruto de uma guerra política interna de poder. Os responsáveis ainda estão sendo identificados. Mesmo assim, ao perceber que a ocorrência fragilizava o próprio governo, Zema decidiu trocar parte do alto comando da segurança pública, ainda que nem todos tenham sido responsáveis.


Cai a cúpula da Segurança


Tirou o secretário de Segurança, general Mário Lúcio Alves de Araújo, pelo ex-procurador de Justiça do Estado Rogério Greco. Por conta da troca do titular, houve mudança também na chefia da Polícia Civil. Saiu o diretor-geral da Polícia Civil, Wagner Pinto de Souza, e assumiu o delegado Joaquim Francisco Neto e Silva.


No dia da posse do novo chefe da Polícia Civil, na terça (9), Zema foi direto ao cobrar mudanças e deu-lhe a missão de corrigir o que já chamou, de maneira genérica, de indisciplina. “Diferente da Polícia Militar e dos Bombeiros, a Polícia Civil sempre foi vítima de certas interferências externas que nada contribuem e só prejudicam. Sabemos também que a Polícia Civil tem incidência maior do que as outras forças de segurança por pessoas da corporação que não procedem de acordo com os princípios que nós julgamos corretos. Vai caber ao senhor fazer essas reformas para que esse tipo de fato seja definitivamente eliminado ou reduzido em 99%…”, disse o governador em tom de desabafo. Veja o vídeo.

Zema dirige-se ao novo chefe de Polícia Civil, Joaquim Francisco Neto


Deputados e entidades cobram retratação de Zema


Zema apontou ainda que sempre acompanha as demissões na Polícia Militar e que é preciso acertar na punição pelo menos. “Nós não podemos acertar em 100% nos processos de seleção e de promoções, mas podemos acertar em 100% nas punições a quem merece. Então, isso que precisa que acontecer…”, disse Zema em seu discurso.


Ainda que seja genérica, a manifestação causou controvérsia e insatisfação na Assembleia Legislativa, junto à bancada ligada à Polícia civil. Os deputados Delegada Sheila e Delegado Heli Grilo, ambos do PSL, protestaram contra a afirmação e disseram que não se pode generalizar más condutas como se fossem a regra. Eles defenderam que, se forem identificadas interferências indevidas, devem ser investigadas e resolvidas, mas sem questionar toda a corporação. Ambos pediram a retratação do governador.


Entidades de policiais civis e delegados, como a Sindepominas e Adepol-MG, divulgaram nota conjunta em protesto às declarações de Zema e cobraram retratação também. "Afirmações generalizadas, além de perigosas, não são compatíveis com a seriedade e o profissionalismo que devem reger a atividade do chefe do Executivo estadual", criticaram em nota.


LEIA MAIS: Zema vive dilema de ficar ou sair do partido Novo por aliança com Bolsonaro




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