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Tempo da bola não é da política e nem dos políticos

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Com a bola rolando na Copa, as atenções mudaram de foco. Dificilmente, os pré-candidatos terão chances de performar, mesmo nas redes sociais, onde mais se dedicam. O assunto é outro agora. A culpa disso é da própria política, que tem trazido, nos últimos tempos, só notícias ruins e sacanagens. O brasileiro vai reencontrar, nos próximos 35 dias, principalmente, se a Seleção Brasileira avançar, tempos de paz e alegrias em sua vida.

Moradores decoraram ruas na torcida pelo Brasil, foto Fernando Frazão/ABr


Enganam-se aqueles, como o pré-candidato presidencial do PL, Flávio Bolsonaro, que tentou, às vésperas da estreia brasileira, capturar a camisa da Seleção para o bolsonarismo. Mais um erro, ou desespero, desse concorrente que, em suas primeiras ações, buscava se distanciar do próprio pai, o ex-presidente Jair, e do extremismo. Ante a perda de intenções de voto, de acordo com as últimas pesquisas, recorre ao colo paterno para não perder a base original.


Neste ano, as pessoas irão usar o verde-amarelo com menos constrangimento de outrora, quando poderiam ser identificadas com uma corrente política. Além de Flávio, a direita tem outros três presidenciáveis que, nas condições atuais de temperatura e pressão políticas, não irão ultrapassá-lo na preferência desse campo. Por mais que julguem o filho 01 pouco competitivo, ou envolvido com malfeitos (“Dark horse”, rachadinhas e loja de chocolate), os eleitores de direita continuarão com ele.


A pulverização defendida por Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) tem sido negativa à direita e favorece a reeleição de Lula (PT). Zema levou isso tão a sério que parece encantado com seu voo solo, mais dedicado ao próprio ego do que a um projeto político. Junto disso, impõe riscos para o futuro de seu partido e de seu pré-candidato a governador de Minas.


Jarbas e Gabriel disputam Lula


Filiados a partidos de centro (um mais à direita; outro à esquerda), os pré-candidatos a governador Gabriel Azevedo (MDB) e Jarbas Soares (PSB) estão em disputa pelo palanque de Lula. Não pela convicção, mas pelos ganhos eleitorais. Já está claro que a polarização nacional, entre direita e esquerda, lulismo e bolsonarismo, irá se reproduzir nos estados. Por isso, querem ter (e precisam) o apoio do campo de Lula que está sem nome. Se a direita tem nomes de sobra, o terreno da esquerda está fértil e à espera de seu representante, especialmente após a recusa do senador Rodrigo Pacheco (PSB).


Jarbas sonha herdar a base política do amigo Pacheco e a influência dele perante Lula. Gabriel participou do 15º Conexão Empresarial, da revista Viver Brasil, no Vila Galé, em Ouro Preto, e seduziu a plateia, em particular um dos presentes, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia. Amigo de Lula, Walfrido encantou-se com o emedebista e o levou para almoçar em casa, em distrito ouro-pretano, onde tabularam conversas presenciais e virtuais com outros nomes do campo lulista. Presente ao mesmo evento, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), teceu elogios a Gabriel e a Jarbas, que é de seu partido. Alckmin não manifestou preferências por nomes, mas reafirmou a defesa de aliança e consenso.


Marília corre risco


O risco da ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) não é de perda de votos ou coisa parecida. A indefinição que ronda o palanque de Lula, em Minas, a recoloca no centro das atenções, embora ela tenha sempre descartado a possibilidade. Ministros entraram no circuito na busca dessa solução. Marília está fazendo o dever de casa, buscando apoio para ser o segundo nome ao Senado de muitos eleitores que não são do PT. Já os petistas deverão apoiá-la como primeira senadora, já que, neste ano, dois serão escolhidos.


Ela tem escapado dessa pressão, apoiando, sem sucesso, os nomes de Pacheco, Alexandre Kalil (PDT), Gabriel e Jarbas. Neste mês, a definição acontecerá e ela espera não repetir o que fez Pacheco e dar mais um “não” ao presidente da República. A ex-prefeita tem lá suas razões. Primeiro, avalia que o carimbo de petista e a rejeição inerente trazem dificuldades; segundo, a falta de apoio da própria direção estadual do PT.


Conexão e desconexão


O nome do evento, Conexão Empresarial, não inspirou os três pré-candidatos que lá apresentaram palestras ensaiadas para causar boas impressões a uma audiência majoritariamente de direita e antipetista. Ficou fácil para Gabriel e Mateus Simões, governador e pré-candidato à reeleição, serem aplaudidos. Com estilo quase franciscano, o vice-presidente e pré-candidato à reeleição, Geraldo Alckmin, não encontrou rejeição; apenas expressões de incredulidade. Cada um deu sua mensagem e visão própria de mundo, contrastando com o mundo que todos vivem. Gabriel pintou uma Minas, que sob sua gestão, será de 1º mundo.


Simões corre contra o tempo para corrigir as falhas do antecessor em divulgar a gestão, ainda que as entregas sejam poucas. Tem a seu favor uma frágil oposição, que ainda não o incomoda no ponto central. Alckmin falou de um país que está a um passo da prosperidade. Em contraponto, o CEO da Opus pesquisa, Matheus Dias, advertiu a todos, em sua palestra, para o descompasso entre a percepção e a realidade: “Calcem os sapatos do eleitor médio, porque quem irá decidir é a maioria silenciosa.”

 
 
 

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