Lula desiste de Pacheco e joga a bomba para o PT mineiro
- há 12 horas
- 3 min de leitura
Após duas tentativas frustradas de convencimento, o presidente Lula desistiu da futura candidatura a governador do senador Rodrigo Pacheco (PSB) e liberou o PT mineiro a buscar plano B. O petista havia enviado dois emissários para conversar com Pacheco. Na semana passada (terça, 19), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, saiu do encontro com o senador com uma posição dele: “não estou candidato a governador”. Na última segunda (25), foi a vez do vice-presidente Geraldo Alckmin (também do PSB) sondar Pacheco. Ouviu a mesma resposta.

Pacheco e Lula não deverão ser aliados na disputa eleitoral, foto Ricardo Stucke/PR
Diante desse cenário, Lula, que havia chamado para si essa responsabilidade e decisão, liberou os petistas mineiros a buscarem alternativa. A decisão vem como uma ‘bomba’ para o PT mineiro desarmar. A opção sairia de dentro do próprio partido, ou seja, candidatura própria. De acordo com a presidente do PT mineiro, deputada Leninha, a legenda vai retomar conversações e fazer pesquisas para identificar a alternativa possível.
A dificuldade maior é que, a essa altura do calendário eleitoral, os petistas que são pré-candidatos à reeleição já estavam cuidando de suas campanhas. Agora, alguém teria que ir para o sacrifício, ou seja, deixaria o mandato de deputado para tentar o governo de Minas a quatro meses das eleições. Como pré-candidato à reeleição, Lula está mais preocupado em ganhar em Minas do que em conquistar o governo de Minas.
Foram cinco meses de tempo perdido com a insistência de Lula com Pacheco. O senador nunca disse que seria candidato, nem que não seria. Ele manteve a disposição, manifestada em dezembro do ano passado, de deixar a vida pública, especialmente a disputa política. Além de pré-candidato a governador, ele também seria pré-candidato a ministro do Tribunal de Contas da União, uma eleição mais fácil com o apoio do aliado e presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Crise pode cancelar voo de Damião
O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), tem sido aconselhado por aliados a desistir de mais uma viagem internacional, desta vez para os EUA, onde acontecerá a Copa do Mundo e onde faria um curso. Três razões compõem o argumento desses aliados. Primeiro, a greve dos professores ainda sem solução; segundo, a crise financeira da prefeitura, com déficit anunciado de R$ 3,3 bilhões e, junto dessas, a queda de popularidade.
Há indícios também de crise com a base política na Câmara Municipal. Se viajar, ele foi aconselhado a ficar menos de 15 dias, caso contrário seria necessária autorização da Mesa Diretora do Legislativo, onde ele não tem maioria. Haveria risco de ser derrotado.
Ainda nessa quarta (27), o prefeito recebeu sinais de insatisfação de aliados. O vereador Wagner Ferreira (Rede), que integra a Mesa Diretora e é da base, fez duras críticas à gestão da prefeitura por conta de uma subsecretária, Luana Souza (PT), pedir a cassação dele. Como suplente, ela contesta a mudança de partido de Wagner, do PV para a Rede. "Como é que pode uma assessora do prefeito pedir a cassação de um vereador da base, que está aqui votando projetos de interesse do prefeito?", contestou Wagner, convencido de que a troca de partido que fez tem amparo legal.
Se confirmada a viagem, quem assumiria a prefeitura é o procurador do município, Flávio Freire. Como Damião não tem vice, o primeiro na linha sucessória é o presidente da Câmara, Juliano Lopes, que é pré-candidato a deputado estadual. Para não ficar inelegível, está com as malas prontas para viajar e não assumir.
Emenda ‘Bacana Demais’
Ainda causou críticas ao prefeito, a destinação de R$ 273.744,00 da PBH para o Instituto Cultural Esportivo e Social Bacana Demais, entidade fundada por ele. O repasse foi oficializado por meio de publicação no Diário Oficial do Município da segunda-feira (26) a partir de emenda parlamentar do próprio Damião, quando era vereador. Ele não é mais sócio da entidade, mas as críticas movimentaram o Legislativo.

































Comentários