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Kalil fecha porta ao PT para ter chapa puro-sangue na disputa ao Governo

Ao migrar do PV para o PSD, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Agostinho Patrus, carimbou a vaga de vice-governador na chapa a governador de Alexandre Kalil (PSD). A mudança vai garantir também uma formação puro-sangue, que terá Kalil para governador, Agostinho para vice e o atual senador Alexandre Silveira ao Senado. Todos do PSD. Com isso, tenta barrar a entrada do PT na chapa majoritária.

Agostinho, Kalil e Alexandre Silveira recebem as "bençãos" do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, foto @rodrigopacheco/Instagram


Aliado, o presidente da Assembleia sempre foi o preferido de Kalil para a vaga de vice, mas sua permanência no PV poderia trazer riscos. O PV deverá integrar a formação de uma federação de partidos, expediente que é novidade para essa eleição, liderada pelo PT, com a participação do PSB e do PCdoB. Uma vez formalizada, a federação poderia apoiar Kalil e indicar o vice ou o senador. Para não ficar nãos mãos do PT, Agostinho filiou-se ao PSD de Kalil no último dia do prazo permitido, nessa sexta (1).


Petistas cobram vaga ao Senado


Os petistas reivindicam a vaga de senador nessa composição em troca do apoio que, juntos com o candidato presidencial Lula, darão a Kalil. A pressão irá continuar já que a oficialização da chapa só acontece em junho, nas convenções partidárias, mas ficou mais difícil com o fato consumado que o PSD quer estabelecer.


A pressão é maior por parte do PT mineiro, que indicou o deputado federal Reginaldo Lopes para ser candidato ao Senado. O ex-presidente Lula já se manifestou mais de uma vez, durante entrevistas para emissoras de rádio de Belo Horizonte, pedindo maturidade aos petistas. Reafirmou que o mais importante seria é a aliança com Kalil embora tenha manifestado apoio à reivindicação petista. Alguns aliados consideram que Reginaldo Lopes, como candidato a deputado federal, poderia ser bom puxador votos para eleição de deputados federais pelo PT.


Quem precisa de quem?


Para os petistas, hoje, Kalil precisa mais de Lula do que o contrário, já que o ex-presidente lidera as pesquisas para a eleição presidencial no país e em Minas. Já o ex-prefeito de BH está em desvantagem nas pesquisas perante o governador Romeu Zema (Novo), candidato à reeleição.


De acordo com a primeira pesquisa do instituto mineiro Quaest, 40% do eleitorado mineiro preferem que o futuro governador de Minas seja ligado ao ex-presidente Lula. Outros 36% querem uma associação com a terceira via, ou seja, nem com Lula ou Jair Bolsonaro (PL). Uma terceira parte, de 20%, defende aproximação com Bolsonaro.


Pacheco abençoa a formação


Para evitar as amarras de Kalil com o PSD, que impõe a candidatura de Alexandre Silveira ao Senado, Lula chegou a incentivar a filiação dele no PSB. O presidente dessa legenda, Carlos Siqueira, esteve em BH, onde almoçou com Kalil na quinta (31), mas as conversas não evoluíram. Kalil também não quis ficar nas mãos de Lula. No dia seguinte, ele e Agostinho Patrus foram a Brasília e posaram para fotos ao lado de Alexandre Silveira e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), que abençoou a composição.


“A eles [Kalil, Agostinho e Silveira], pré-candidatos nas próximas eleições, caberá a missão principal de apresentar um grande projeto para Minas”, disse Pacheco na sexta (1). “O PSD se fortalece. Estamos unidos”, assinalou. Foi a senha para consolidar a formação sem a presença e pressão do PT mineiro na chapa majoritária.


Bolsonaro implode base de Zema


Com a segunda migração partidária do senador Carlos Viana, do MDB para o PL, o candidato presidencial à reeleição por esse partido, Jair Bolsonaro, implodirá a base política da reeleição de Romeu Zema. O governador mineiro é candidato à reeleição mas não quis fazer aliança com Bolsonaro, que o ajudou a se eleger em 2018. Além de apoiar oficialmente Viana para governador e tirar sua própria base, Bolsonaro ainda está cobrando do deputado federal Marcelo Aro e de seu partido (PP) uma aliança com seu candidato. Aro reivindicava vaga na chapa de Zema, que também deverá montar chapa puro-sangue com membros apenas de seu partido. O mais cotado para vice é o ex-secretário Mateus Simões.


PSDB quer lançar candidato próprio


Zema deverá perder mais um aliado. O PSDB, que não foi convidado para a chapa majoritária de reeleição do governador, ensaia lançar candidato próprio ao governo mineiro. O nome mais cotado é o do atual vice-governador, Paulo Brant, tendo como vice o ex-deputado federal Marcus Pestana.



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