Fiemg exibe alinhamento a Bolsonaro e Zema em nota crítica ao STF

Sob o pomposo nome “Manifesto pela Liberdade”, a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) aproveitou-se do racha do empresariado nacional e divulgou nota em tom crítico ao STF. Como o governador Romeu Zema (Novo) assumiu o lado contrário da defesa das instituições democráticas, como o Supremo Tribunal Federal, atacadas por Bolsonaro. Ministros do STF são constantes alvos de ameaças bolsonaristas, que até ameaçam invadir a sede do Poder Judiciário, e dos atos do próximo dia 7 de setembro.

O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, divulgou nota contra STF


De uma semana para outra, Zema trocou a posição de ficar em cima do muro, contra “intrigas palacianas”, para defender Bolsonaro dos “defeitos do STF e do Congresso Nacional”. No momento em que instituições democráticas e republicanas defendem a independência de julgar do Supremo, a Fiemg adotou outro argumento. E o chamou de defesa da liberdade de expressão, que tem sido usada em larga escala para propagar fake News e ameaçar a democracia.


Defesa de sites extremistas


“Nas últimas semanas, assistimos a uma sequência de posicionamentos do Poder Judiciário, que acabam por tangenciar, de forma perigosa, o cerceamento à liberdade de expressão no país. Falamos de investigações e da possibilidade de desmonetização de sites e portais de notícias que estão sendo acusados em inquéritos contra as fake News. Em nosso entender, impor sanções sem o devido processo legal, contraditório e ampla defesa é uma precipitação, além de inequívoca afronta à Constituição Federal”. Esse é um trecho da nota da Fiemg que faz a defesa de sites de extremistas e bolsonaristas. Veja nota da Fiemg abaixo.

nota da Fiemg


O presidente da entidade, Flávio Roscoe, disse ao site da Veja que não se chegou a consenso entre os industriais mineiros sobre o texto do manifesto, que era bastante amplo e genérico. O único consenso, segundo ele, era o da liberdade de expressão e que a federação iria se posicionar nesse sentido, em críticas às prisões e desmonetização de sites. Ao decidir por manifesto próprio, Flávio Roscoe admitiu que poderá até ser chamado de bolsonarista, mas disse que está sendo “apolítico”.


Em posição crítica à de Zema, o presidente da Assembleia Legislativa de Minas, Agostinho Patrus (PV), disse que quem não se posiciona em favor das instituições democráticas e da independência dos Poderes está do lado contrário.


Pressionadas, Fiesp e Febraban recuam


Pressionadas pelo governo federal, a Federação das Indústrias de São Paulo e a Federação Brasileira de Bancos recuaram de nota que fariam contra os ataques às instituições. Alguns segmentos pretendem divulgar manifesto ainda antes do dia 7 de setembro. A divulgação foi suspensa depois que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, controlados pelo governo federal, ameaçaram deixar a Federação Brasileira de Bancos.


Agronegócio defende democracia


Ao contrário da Fiemg, um deles já se antecipou em defesa das instituições. Foram os representantes do agronegócio que, na segunda (30), publicaram nota em defesa da democracia. O documento cita as mais de três décadas de liberdade e pluralismo com alternância de poder e eleições legítimas e frequentes no Brasil.


Na nota, as entidades tornam pública a preocupação com os atuais desafios à harmonia político-institucional e, como consequência, à estabilidade econômica e social do Brasil.


O texto lembra que a “Constituição de 1988 definiu o Estado Democrático de Direito em que escolhemos viver e construir o Brasil com que sonhamos”. De acordo com o manifesto, as amplas cadeias produtivas e setores econômicos precisam de estabilidade, segurança jurídica, de harmonia para poder trabalhar; de liberdade para empreender, gerar e compartilhar riqueza, para contratar e comercializar, no Brasil e no exterior.


As entidades ressaltam que é o Estado Democrático de Direito que assegura a liberdade empreendedora essencial numa economia capitalista. Assinam a nota, entre outros, a Associação Brasileira do Agronegócio, a Associação Brasileira dos Industriais de Óleos Vegetais e o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal.


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