De olho na eleição, Zema, Kalil, Lula e Bolsonaro racham o maior partido de Minas

O atual comando do MDB mineiro, presidido pelo deputado federal Newton Cardoso Júnior, pediu à direção nacional a prorrogação de seu mandato por mais um ano. A medida é corriqueira no partido, tanto é que, em todos os estados, a recondução foi feita, menos em Minas. A maioria das bancadas estadual e federal quer mudanças e chegou até a pedir à mesma direção intervenção na regional mineira. O impasse deverá ser resolvido nos próximos 15 dias pelo comando nacional.

Kalil, Zema, Lula e Bolsonaro, fotos Amira Issa/PBH, ImprensaMG, Ricardo Stucker e Antônio Cruz/ABR


Quais as razões da batalha interna? O centro da briga interna é o futuro político e eleitoral do MDB mineiro, o maior partido do Estado, com 98 prefeitos, seis deputados estaduais e quatro federais. Essa disputa interna reflete a polarização que já se formou no plano estadual, entre as pré-candidaturas a governador nas eleições do ano que vem. A de reeleição do atual governador Romeu Zema (Novo) e a do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD).


Uma das principais lideranças do MDB mineiro, Adalclever Lopes, que foi duas vezes presidente da Assembleia Legislativa e tido como hábil articulador, é secretário de Governo de Kalil. Por óbvio, quer o partido apoiando a pré-candidatura do prefeito. O presidente do MDB mineiro, Newton Cardoso, já apoia a recandidatura de Romeu Zema. No plano nacional, o primeiro costura aliança de Kalil com o ex-presidente Lula e seu partido, o PT. Newton Cardoso prefere amparar-se na eventual candidatura de reeleição do presidente Bolsonaro (sem partido). Daí o conflito.


Partido é tido como noiva da eleição


Por ser o maior partido de Minas, com capilaridade por todo o Estado, o partido atua há cerca de 20 anos, em Minas e no plano nacional, como uma espécie de noiva da eleição. Todos querem o apoio dele. Os candidatos mais competitivos querem essa aliança de olho nessa presença no interior e pelo tempo de televisão que a legenda acumula na hora da propaganda eleitoral gratuita.


No plano interno, os deputados que são, em princípio e a princípio, candidatos à reeleição de si mesmos, estão preocupados com o futuro político. Ou seja, querem alianças que os ajudem a se reeleger, estar junto do vencedor e, principalmente, querem maior acesso ao fundo partidário e eleitoral da agremiação. Quem controla o partido, vai controlar também o fundo que, na hora da eleição, faz a diferença entre os que serão financiados e reeleitos e os que não serão.


Portanto, nos próximos dias, a direção nacional vai decidir se prorroga o mandato de Newton Cardoso por mais um ano ou se faz nova eleição. Um fator desfavorece Newton. É que na eleição recente para presidente da Câmara dos Deputados, ele apoiou o vencedor, o atual presidente Arthur Lira (PP), que derrotou quem? O deputado federal Baleia Rossi, que vem a ser o presidente nacional do MDB. Rossi não perdoa a infidelidade de Newton Cardoso.


A favor de Newton, tem o seu pai, o ex-governador Newton Cardoso. Newtão é da velha guarda do partido e amigo de seus contemporâneos, entre eles o pai de Rossi, que também se chama Baleia Rossi. As conversas estão acontecendo para evitar os confrontos. O MDB é um caso que supera a política e descamba para os divãs da psicanálise, mas o partido vive de adiamentos, estica a corda para não a arrebentar.


Presidenciáveis querem apoio de Minas


Os presidenciáveis também estão de olho nessa briga. O PT, por exemplo, não deverá ter candidato a governador em Minas e aposta na de Kalil. Ganharia reciprocidade e canal para alcançar o eleitorado mineiro. Já Bolsonaro deve fechar com Zema para, juntos, disputarem a reeleição contra as prováveis candidaturas de Kalil e de Lula. Não custa lembrar que o eleitorado mineiro é o segundo maior colégio eleitoral do país, depois de São Paulo.


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