Há 35 anos, BH só elege prefeito antissistema ou de centro-esquerda e à esquerda

Tem sido assim desde o início da redemocratização no país em 1985: o eleitor da capital mineira tem escolhido prefeitos com perfil antissistema ou de centro-esquerda, ou ainda, de esquerda. Aqueles menos à esquerda, são antissistema, como Sérgio Ferrara (MDB), em 85, e o atual prefeito Alexandre Kalil (PSD), em 2016.

Kalil foi o antissistema de 2016 e, agora, poderá ter dificuldades com Áurea Carolina, que vem pela esquerda (Amira Hissa/PBH + Câmara dos Deputados/Divulgação)

O primeiro pegou o embalo da Nova República e do PMDB do falecido presidente Tancredo Neves e bateu Maurício Campos (Arena, PDS e PFL), que representava a direita naquele ano. Sua vitória representou (representou…!) a confirmação da vitória da mudança sobre a moribunda ditadura.

O seguinte, que esteve perto do centro-esquerda, foi o tucano Pimenta da Veiga, que, depois, alojou-se no centro com flertes à direita. Em 1987, e com discurso social-democrata da criação do PSDB, Pimenta bateu o centrão Álvaro Antônio (PMDB), falecido a pai do atual ministro do Turismo, que atende pelo nome de herança paterna, Marcelo Álvaro Antônio.

PSDB e MDB ficaram rejeitados

Pimenta representava igualmente a renovação quando o PMDB (que voltou a ser MDB) começava a se envolver com as práticas da corrupção e do fisiologismo. O PSDB também se perdeu por esses caminhos e, como o outro, deixou de representar o centro-esquerda ou as mudanças. Resultado, irmãos siameses, ambos nunca mais elegeram o prefeito de BH. Há anos, o MDB sequer tem diretório municipal na capital mineira.

Depois deles, veio uma sucessão consecutiva de prefeitos com perfil mais à esquerda. Em 91, Patrus Ananias levou o PT à vitória em cima do direitista Maurício Campos (PFL) e de Aécio Neves (PMDB depois PSDB). Atrás de Patrus, o vice dele, Célio de Castro (PSB depois PT), foi eleito e reeleito.

Nessa mesma toada, seu vice, Fernando Pimentel (PT), foi também reeleito. Em seguida, ganhou o empresário Marcio Lacerda (PSB) e foi reeleito. Lacerda estava mais para pessebista do que socialista; seu campo flertava mais com a esquerda.

Antissistema substituiu esquerda

Na última eleição, apareceu o outsider Kalil, dizendo-se apolítico e com pinta de indignado, e instalou-se na Prefeitura e quer ficar mais quatro anos. Agora, terá reencontro com esse mesmo eleitorado que não é seu, mas de quem, de acordo com essa história acima, se encaixar no perfil do anti. Tudo somado, esse perfil de eleito em Belo Horizonte completa, em 2020, 35 anos.

Tendência pode favorecer PSOL

De acordo com essa tendência do eleitorado de BH, a deputada federal Áurea Carolina (PSOL) pode ser fator de novidade. No campo da esquerda, não houve acordo para uma candidatura única, mas a dela poderia atrair os identificados.

Sem ser amplamente conhecida, ela já foi a vereadora mais votada há quatro anos, dois anos depois virou deputada federal. Se conseguir puxar os votos da esquerda e dessa tendência, poderia ajudar a levar a eleição para o 2º turno e disputar a final com Kalil, que é o mais bem pontuado nas pesquisas. Ou ajudar outro, ainda que indiretamente, quem sabe, um adversário.

Outros nomes competitivos

Existem outros nomes que podem ser competitivos, por diversas razões, como João Vitor Xavier (Cidadania), Rodrigo Paiva (Novo) e Nilmário Miranda (PT). Está na hora de ver qual é o debate da disputa eleitoral que está mexendo com o eleitor e se encaixar na frequência dele.

A direita está satisfeita depois de ter saído do armário. Por isso, tem mais candidatos do que o campo oposto, mas o eleitor de Belo Horizonte ainda espera o candidato que se identifique com ele, mesmo ante o risco de errar.

Reencontro marcado

Nessa semana, mais de 42 mil urnas estão sendo preparadas e enviadas para o destino delas, que é o encontro democrático e conflituoso com o eleitor.

LEIA MAIS: Kalil vira candidato e vai apanhar muito mais por 2022 do que 2020

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