Polarização entre PT e PSDB deverá travar a 3ª via em Minas

20.03.2018

A decisão do senador tucano Antonio Anastasia de aceitar disputar o governo mineiro novamente provocou uma reviravolta no quadro sucessório eleitoral. Com isso, há uma forte tendência de reedição da polarização dos últimos 16 anos em Minas, e dos últimos 24 anos no país, entre, de um lado, o PT e aliados e, do outro, o PSDB e aliados.  

E o tom do confronto já começou. Antes mesmo do anúncio oficial do PSDB, o secretário de Governo, Odair Cunha (PT), que cuida da articulação política da administração estadual, já lançou um desafio ao tucano, cobrando-lhe explicações pelo alto déficit de R$ 8 bilhões deixado no estado após 11 anos de tucanato. De acordo com Cunha, essa “herança maldita” teria sido resultado das “escolhas equivocadas dos governos tucanos”. E apontou, como exemplo, a construção da Cidade Administrativa, a nova sede do governo estadual, ao custo de R$ 2 bilhões, em vez de priorizar o reajuste dos professores, e a concessão de reajustes, como o das polícias Militar e Civil sem previsão orçamentária.

O ex-governador Alberto Pinto Coelho, que foi vice de Anastasia e assumiu o governo durante oito meses, em 2014, rebateu a crítica e disse que as contas do governo foram aprovadas pelo Banco Central, que, à época, era chefiado pelo governo petista de Dilma Rousseff, e pelo Tribunal de Contas do Estado. “Falta só o plenário da Assembleia Legislativa”.

 

A polarização chega exatamente no momento em que integrantes da terceira via, como o ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB) começava a capitalizar os consecutivos rachas no campo da oposição por falta de uma liderança forte. A novidade (Anastasia) tende a reaglutinar esse campo e a dificultar o crescimento da terceira via. Outro nome que poderá ficar afetado é o do deputado federal Rodrigo Pacheco, que, ontem, deixou o MDB e se filiou ao DEM para ser candidato a governador. Como os dois, Dinis Pinheiro, que se filia ao Solidariedade nesta semana, deverá repensar as estratégias ou até mesmo a candidatura. Há uma possibilidade de esvaziamento das três pré-candidaturas, caso não consigam segurar os apoios políticos.

Anastasia deverá reagregar a oposição, e outra parte manterá o apoio ao PT do governador Fernando Pimentel. O PP, por exemplo que traiu Dinis Pinheiro, que era pré-candidato, para apoiar Rodrigo Pacheco, já avisou que, agora, irá de Anastasia. Hoje, há sete pré-candidatos a governador, contabilizando ainda as pré-candidaturas do empresário Romeu Zema, do Partido Novo, e do sociólogo João Batista Mares Gia, do Rede, que não devem sofrer a influência direta da bipolarização.

A partir dessas novidades, o momento não é de novas definições. Após as filiações e mudanças de partidos (no dia 6 de abril), o quadro se acomoda até junho, quando então as conversas irão tomar o rumo das composições partidárias e políticas. Aí, nessa hora, quem era pré-candidato a governador poderá virar pré-candidato a vice ou a senador.

FOTO REPRODUÇÃO BHAZ: Terceira via fica agora ameaçada com a polarização nas eleições

 

 


 

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