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Zema abre negociações, mas policiais preparam xeque-mate

O governo Zema (Novo) abre negociações com os policiais civis e militares, bombeiros e outros servidores da segurança pública nesta quinta (3) em busca de acordo na reposição salarial. Na avaliação das lideranças da categoria, o governo busca ganhar tempo e o terá até o dia 9 de março, quando eles preparam nova demonstração de força. Desta vez, pretendem acampar na Cidade Administrativa, sede do governo estadual, até obter resposta positiva às suas reivindicações.

Presidente da Assembleia Legislativa, Agostinho Patrus, recebe manifesto das lideranças policiais, foto Ascom/ALMG


Se até a data marcada, o governo não os atender, eles avaliam que darão um “xeque-mate” em Zema. “Ele será obrigado a negociar diante do risco de ruptura. Vamos colocar 40 mil na Cidade Administrativa (sede do governo estadual) e teremos surpresas em pontos sensíveis”, antecipou o deputado estadual Sargento Rodrigues (PTB) sobre a concentração.


No encontro desta quinta, irão apresentar três demandas tidas por eles como prioridades. Eles querem o pagamento de duas das três parcelas de 12% a título de reposição salarial, que foram concedidas há mais de dois anos e nunca pagas. Apenas a primeira parcela foi quitada.


Abono para ativo é rejeitado


Em segundo lugar, rejeitam o que chamam de quebra da paridade entre ativos e veteranos diante da proposta do governo de pagar abono fardamento, que não alcança os aposentados. “Conseguiu desagradar ativos e veteranos”, avisou Rodrigues. Por último, vão dizer ‘não’ à proposta do governo de adesão de Minas ao programa federal de Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Essas três posições são unanimidade entre as mais de 15 representações dos servidores da segurança.


Os representantes da categoria também estão convencidos de que a secretária de Planejamento e Gestão, Luiza Barreto (PSDB), não terá autonomia para negociar. A desconfiança vem da negociação anterior, feita com essa secretaria há mais de três anos, quando o governo fez acordo em ata, concedendo reposição de cerca de 40% em três parcelas. “Esse acordo foi assinado por seis nomes do governo, entre eles os quatro chefes da área de segurança. Ficamos esperando passar o pior momento da pandemia, para começar a cobrar”, observou Rodrigues.


Proposta de reposição também é reprovada


Na semana passada, após grande manifestação dos policiais pelas ruas de Belo Horizonte, Zema enviou projeto para a Assembleia Legislativa, concedendo 10,6% de reposição. A medida alcança todos os servidores, mas os policiais a rejeitaram.


De lá para cá, em vez de abrir logo as negociações, Zema tem feitos postagens críticas aos policiais nas redes sociais, segundo avaliação das lideranças. Na primeira, disse que “os cemitérios estão cheios de pessoas insubstituíveis”. Na segunda, teria os chamado de “maioria barulhenta” e “baderneiros”.


De acordo com deputado Sargento Rodrigues, o governo teria condições financeiras para atendê-los. “O governo fechou o caixa, no dia 31 de dezembro passado, com R$ 18 bilhões e com a arrecadação crescente. Nosso acordo teria custo de 4 bilhões apenas”, observou. “O problema de Zema é é ser orientado pelos meninos do Novo que só tem visão de mercado”, criticou.




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