Meta do Centrão no governo é livrar Bolsonaro da UTI e do fim precoce

A um ano e dois meses das eleições de 2022, a meta do Centrão será livrar o governo Bolsonaro da UTI e de um processo de impeachment. Essa também foi a estratégia adotada por Bolsonaro apostando no quarto grupo de apoiadores para se recuperar de um quadro que está se agravando. O maior risco são as acusações da CPI da Covid de prevaricação e desvios na compra de vacinas, além da alta inflacionária, queda de popularidade e os mais de 100 pedidos de impeachment.

Senador Ciro Nogueira conversa com o relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros, foto Pedro França/Agência Senado


Antes, deram sustentação ao governo a ala ideológica, depois, a econômica e, por último, a militar. Cada um teve seu momento de fama até a crise política que não conseguiu controlar. Agora, Bolsonaro recorre aos políticos que tanto criticou, embora tenham perfil semelhante ao seu. “Eu sou Centrão”, disse o presidente na quinta (22), quando confirmou as mudanças, assumindo sua base de origem política.


A justificativa foi apresentada por ter escolhido o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, para assumir a coordenação política. Na avaliação do governo, o bloco é o único capaz de tirá-lo da atual crise.


Recorrer ao bloco para evitar o pior


Quando se chega ao Centrão, busca-se evitar o pior, o fim precoce que está aí desenhado com a CPI da Covid e o fracasso do governo diante da pandemia. Além do baixo desempenho nas pesquisas, crescem as manifestações de rua, como a de sábado último (24), a quarta em apenas dois meses.


Ironias da política levam o presidente a buscar a sobrevivência de seu mandato no grupo que chamou de ‘velha política’ e do “toma lá dá cá” que ele havia prometido extinguir. A prática desse bloco parlamentar, que detém o maior número de parlamentares nas duas casas do Congresso Nacional, é trocar apoio político por cargos e outras benesses. Há quatro anos, Nogueira chegou a chamar Bolsonaro de “fascista” e que Lula teria sido melhor presidente para sua região, o Nordeste.


O Centrão é o mesmo bloco parlamentar que deu e dá sustentação a governos, da esquerda à direita, desde o fim da ditadura militar. De lá pra cá, o grupo atua como o fiel da balança na relação do Congresso com o Executivo e é decisivo para manter ou tirar presidentes do cargo e aprovar ou rejeitar reformas.


Mudanças a oito dias da volta da CPI


Com a ida do senador Ciro Nogueira para a chefia da Casa Civil, a relação do governo com o Congresso estará nas mãos dos presidentes dos partidos que integram o Centrão. O início da troca do general Ramos por Nogueira, na minirreforma ministerial, deverá ser formalizado nesta terça (27), a oito dias do fim do recesso do Legislativo.


Antes dele, já havia tomado posse, como ministra da Secretaria de Governo, a deputada Flávia Arruda (PL-DF), indicada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Esse também é do líder do centrão e um dos mais fiéis a Bolsonaro. Depende dele, por exemplo, a abertura ou não de um processo de impeachment dos mais de 130 pedidos que ele guarda na gaveta.


Conselhos regionais vencem ameaça


Sem apoio na Câmara dos Deputados, o governo Bolsonaro decidiu pela retirada da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 108). Apresentada em julho de 2019, pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, a medida tinha como objetivo desregulamentar profissões e desmontar os conselhos regionais. O motivo principal do recuo do governo foi a falta de apoio político e a mobilização dos Conselhos regionais contra a medida visto como retrocesso.


Tiros podem sair pela culatra


O operador de esquema da rachadinha de Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), quando era deputado estadual no Rio, Fabrício Queiroz, reclamou do abandono dos aliados de Bolsonaro. Sua manifestação foi feita nas redes sociais. Como sabe com quem está falando, e pra quem, deixou um recado em tom de ameaças. “Minha metralhadora tá cheia de balas. kkkk”, disse.


Junto da mensagem, postou foto dele ao lado de Bolsonaro, do deputado federal Hélio Lopes, do assessor especial da Presidência da República Max Guilherme Machado de Moura. E mais, do advogado Fernando Nascimento Pessoa, assessor parlamentar do gabinete de Flávio Bolsonaro no Senado.


Queiroz ainda comentou: “É ! faz tempo que eu não existo pra esses 3 papagaios aí ! ( águas de salsichas) literalmente!!!Vida segue ….”. As postagens foram apagadas depois. O ex-assessor de Flávio Bolsonaro é investigado por participação em suposto esquema de rachadinha (devolução de salários) na Assembleia do Rio. Apontado pelo Ministério Público como operador do esquema, chegou a ser preso no ano passado, mas conseguiu a revogação.


Zema pagará “em breve” férias-prêmio a servidor


No final da semana passada, o governo mineiro soltou previsão sem data, de que, ‘em breve’, divulgará cronograma para quitar R$ 582 milhões devidos a 22 mil servidores. São aposentados, em sua maioria das áreas de educação e da segurança. A dívida refere-se a férias-prêmio acumuladas e não pagas desde 2013. As férias-prêmio é um benefício conquistado pelo servidor que, ao final, funciona como espécie de FGTS, que eles não têm ao contrário dos trabalhadores da iniciativa privada.


Os atrasados foram provocados pelos governos que se sucederam por falta de recursos, segundo eles. Hoje, a situação está diferente, com a melhoria das contas públicas, especialmente neste ano. Até agora, o Estado já arrecadou cerca de R$ 10 bilhões a mais do que o mesmo período do ano passado. A tendência é crescer até o final do ano por conta, especialmente, dos consecutivos aumentos de combustíveis e da energia elétrica.


Tanto é que o governo já anunciou o fim do parcelamento de salários, ou seja, pagará em única parcela até o quinto dia útil de cada mês a partir de 5 de agosto. Isso tem mais a ver com organização do fluxo de caixa do que propriamente aumento de receita, até porque os salários estavam sendo pagos com atrasos, mas dentro do mês.


Tribunal de Contas foi acionado


Além de reorganizar o fluxo de caixa, a receita extra servirá também para pagar atrasos como esses da férias-prêmio e garantir a quitação do 13º salário dentro do ano, sem adiar para 2022. O anúncio de ‘em breve’ quitará a dívida foi dado pelo governo um dia depois que o deputado estadual Cristiano Silveira (PT) acionou o Tribunal de Contas do Estado. Além, é claro, de muita pressão de associações e sindicatos.


Eles alegam que o governo tem dinheiro em caixa, mas adia o compromisso com os direitos dos servidores. Com o retorno dos trabalhos legislativos na próxima semana, a pressão política deverá voltar sobre o governo.


LEIA MAIS: Bolsonaro tem três saídas: impeachment, dar golpe ou sangrar até 2022




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