Cemig contraria Zema e vira cabide de empregos de luxo por R$ 23 mi

A maior empresa estatal de Minas, a Cemig vai gastar R$ 23 milhões em dinheiro público para renovar sua direção e fortalecer a privatização da empresa. Em flagrante oposição ao discurso do governador Romeu Zema (Novo), a estatal é acusada de gastar esse valor em contratos milionários e sem licitação. Foram celebrados para preencher altos cargos e renovar sua diretoria e fortalecer a venda da estatal.

Presidente da Cemig, Reynaldo Passanezi, terá assessor especial ao custo de R$ 156 mil, foto William Dias/ALMG


Por meio de três escritórios de recursos humanos, contratados sem licitação, a estatal consumiu R$ 1,3 milhão para fazer seleção e recrutamento de seu novo comando. Ao defender e justificar a privatização da Cemig, Zema sempre critica e ataca que ela foi transformada em cabide de empregos pelas gestões passadas. Sob seu comando, a nova diretoria o transformou em cabide de empregos de luxo. Consultada, a direção da empresa não quis se manifestar.


Discrepância de valores nos contratos


Para achar o novo presidente, a diretoria pagou R$ 170 mil a empresa de recursos humanos; para os cargos de conselheiros e diretor estatutário gastou mais R$ 771 mil. A seleção do diretor de Suprimentos foi feita por R$ 294,6 mil. De outras quatro diretorias (de Finanças, de Relação com Investidores, de Regulação e Jurídico e da Cemig Participações) gastou menos, R$ 129 mil. A discrepância nos valores de cada serviço de recrutamento também chamou a atenção.


Essas denúncias compõe o inquérito civil do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) nº 0024.20.014941-7, que corre sigilosamente. Foram apresentadas pelo Sindicato dos Eletricitários do Sul de Minas (Sindsul/MG). Protocolado na segunda (25), o requerimento da entidade requer do MPMG o processamento das denúncias relatadas junto ao Inquérito Civil citado.


O requerimento teve a coautoria da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado de Minas Gerais (Ftiuemg). Além do MPMG, a Controladoria Geral do Estado (CGE) também investiga o caso sob sigilo.


Favorecimento de empresa de ex-sócio


Os contratos são apontados por funcionários e sindicados ligados a eles como irregulares porque teriam sido feitos sem licitação, violando o artigo37, XXI da Constituição Federal. E mais, as comprovações de que os preços contratados estariam de acordo com o mercado foram feitas por meio de outros contratos da própria contratada.


Em outro indício de irregularidades, um dos contratados, o Lefosse Advogados Escritório de Advocacia tinha como sócio, até o início do ano passado, o diretor jurídico Eduardo Soares. Em outro contrato, a presidência da estatal contratou os serviços de um coach pelo valor de R$ 156 mil. O serviço de assessoria foi contratado exclusivamente pelo presidente.


Assessoria vip por R$ 156 mil


Contratado sem licitação, o coach Wladimir Ganzelevitch cobrará para cada sessão R$1.500,00, que tem a duração contratual de 50 (cinquenta) minutos. Ao todo, foram contratadas 104 sessões de coaching, a serem realizadas durante 24 meses. No processo de contratação, não há comprovação de que os preços contratados estão aderentes ao praticado no mercado. O Sindsul/MG estranhou a contratação pelo fato de o atual presidente, Reynaldo Passanezi Filho, ter sido selecionado como preparado e capacitado.


Em outro contrato, a empresa vai pagar R$145.560,00 por locação de imóvel em São Paulo à Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2041Torre D. O imóvel seria destinado a instalação de escritório da Cemig GT em mudança que afetaria a receita de ICMS de Minas Gerais.


Afastamento seria “cortina de fumaça”


Ao ser denunciada, a direção da empresa afastou gerentes e um superintendente. “Tal ato, possivelmente tenha o objetivo de criar uma espécie de “cortina de fumaça” sobre as possíveis irregularidades cometidas pela diretoria da empresa, na hipótese de confirmação das mesmas”, apontou o presidente do SindSul/MG, João Wayne Oliveira de Abreu.


Perderam os cargos Carlos Henrique Cordeiro Finhouldt, gerente de Secretaria Geral; Mirian Paula Ferreira Rodrigues, gerente de Compliance; Thiago Ulhoa Barbosa, Superintendente do Jurídico. E mais, Daniel Polignano Godoy, gerente Jurídico; Paulo Gonçalves Vanelli, superintendente Suprimentos; Leandro Correa de Castro, gerente de Compras. Outros dois Diego de Souza Andrade, gerente de Planejamento e Serviço e Fernando Antônio Machado Bueno, gerente de Planejamento de Material e Logística.


Foram destituídos, segundo outro Sindicato, dos Engenheiros (Senge/MG), sem direito de defesa e sem conhecimento das acusações. “Conforme pode se verificar na relação acima, as áreas que tiveram seus gestores retirados dos cargos são as áreas de Governança da Companhia. Portanto, áreas estratégicas, fato que nos causa muita estranheza. Em outras palavras, há suspeitas de que tais gestores foram retirados de seus cargos por não concordarem com algumas práticas implantadas pelo novo corpo diretor da empresa”, argumentou a direção do SindiSul MG. Segundo os sindicalistas, os funcionários afastados estão disponíveis para realização pelo MPMG de oitiva na qual poderão confirmar os eventuais ilícitos.


LEIA MAIS: Sindicatos acusam Cemig de afastar gerentes contrários à privatização




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