Como deputado, Bolsonaro apoiava Congresso, emenda impositiva e Eduardo Cunha

Não foi à toa que a maioria dos deputados federais mineiros criticou a atitude de Bolsonaro em incitar ataques ao Congresso Nacional. O próprio presidente, quando foi deputado federal, em entrevista de 2017, defendeu a independência do Legislativo e adoção de emendas impositivas. Mais do que isso, disse que a composição do Congresso, no mandato anterior, era a melhor da história do Legislativo. E ainda elogiou o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), por ter implantado o modelo de Orçamento impositivo, que isso representava democracia.

O então deputado federal Jair Bolsonaro defende orçamento impositivo em entrevista, reprodução YouTube

Na entrevista, Bolsonaro disse que aquela legislatura era melhor do que os anteriores por conta das emendas impositivas. “O que o parlamentar tem pra negociar em Brasília? É o seu voto. Este Congresso ganhou muito em relação ao passado, em especial graças ao atual presidente Eduardo Cunha (PMDB), que aprovou emenda à Constituição que trata do orçamento impositivo. Ou seja, o Congresso agora não chantagia (sic) mais o Executivo para liberar nossas emendas”, disse ele.

Confira AQUI a entrevista do então deputado federal Jair Bolsonaro

“Governo não fica refém”

Nesse ponto, foi contestado pela apresentadora Mariana Godoy, da Rede TV, que disse, “agora, o governo fica refém” das emendas impositivas. Bolsonaro, então, retrucou: “Não, não fica refém. O governo tem que respeitar. Nós temos três poderes. Voto comprado não é sinônimo de democracia. Agora, acabou”, afirmou ele.

Como presidente, Bolsonaro reclama, hoje, de chantagem do Congresso e estimula pressão popular sobre deputados e senadores. Os líderes partidários reprovaram a atitude dele de enviar, na semana passada, mensagens em grupo de WhatsApp convocando para atos contra o Congresso no dia 15 de março.

Ministro acusou chantagem do Congresso

A crise começou com o ministro da Segurança Institucional, general Augusto Heleno, que acusou o Congresso de “chantagear” o Executivo por recursos. O Orçamento impositivo, aprovado no ano passado, é um dos motivos da crise entre os Poderes.

Para o líder do Democratas no Senado, Rodrigo Pacheco, não há “lógica” em o governo federal querer expor o Legislativo a ataques públicos. “Os parlamentares apoiaram as principais pautas econômicas da União, como a reforma da Previdência”, observou.

O líder do PSD na Câmara, Diego Andrade, classificou o episódio como desnecessário e diz que está na hora de serenidade. “Hoje, todas ações do Orçamento ficam concentrados na União. Enquanto não se tiver um pacto federativo forte, que coloque os recursos nos municípios, esse e outros governos terão que ouvir sim os deputados porque eles representam os municípios”, acentuou.

Como eles, o líder do Solidariedade na Câmara, Zé Silva, defendeu o papel do Legislativo. “Compete ao Executivo ter as ferramentas modernas de planejamento, monitoramento e gestão. Os parlamentares estão com o pé na estrada e levam as necessidades da população e indicam naquelas políticas públicas preparadas para o governo”, apontou.

Bolsonaro disse que não incentivou protesto

Na quinta (27), em sua live semanal, Bolsonaro cobrou do Congresso a aprovação de projetos enviados pelo governo. No entanto, negou que tenha incitado a população a ir às ruas em manifestação contra o Legislativo.

Enumerou medidas do governo que, segundo ele, não avançam no Congresso. Citou duas. “Estou também há seis meses com um projeto fazendo com que você perca a sua carteira depois de completar 40 pontos no ano, e não 20, como é atualmente”, disse. A outra referia-se à validade do mesmo documento para 10 anos em vez de 5 anos como é hoje.

“Traidor da Constituição é traidor da Pátria”, advertiu Ulysses Guimarães

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