Cuidado com imagem leva Kalil a baixar reajuste zero na passagem

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), ex-presidente do Atlético mineiro, governa como quem joga uma partida de futebol: não aceita perder ou empatar o jogo, só ganhar. E ontem fez 1 a zero para cima dos empresários dos coletivos de ônibus. Ele tinha um trunfo na mão. Fez promessa de campanha segundo a qual iria abrir a caixa preta dos contratos, não conseguiu, mas em troca disso, ou pelo adiamento, impôs o reajuste zero. Como chegou a ela?

Havia uma proposta interna de jogar pra cima o reajuste; primeiro, 20%; depois 10%, para, em seguida, cair para 6%, que é o que eles chamam de fórmula paramétrica, para compensar os gastos com combustível, salários e outros insumos do sistema de transporte. Alguém vazou a manobra, enquanto outros alertaram Kalil de que o assunto tarifa de ônibus seria crucial para sua imagem e futuro político. Ou seja, o desgaste seria imediato e uma posição de recuo seria imperdoável.

O que fez Kalil: reagiu, endureceu o jogo, chamou os empresários e a BHTtrans (empresa municipal de trânsito) para reunião; a imprensa também, mas ficou do lado de fora, para ouvir e sentir a tensão. Resultado, Kalil disse que não terá reajuste enquanto não houver auditoria, que já está judicializada. Agora, também as empresas de ônibus deverão judicializar o reajuste e cobrar o que chamam de seus direitos na justiça.

Como a decisão deve demorar, poderemos ter a partir de fevereiro, caso perdure o impasse, o chamado lockout, ônibus parando de circular, reduzindo o serviço, misturado à greve de motoristas, por falta de reajustes.

Então, digamos que, nesse primeiro tempo, Kalil sai na frente e faz um a zero. Vamos ver como será o segundo tempo desse jogo que está longe de acabar, sujeito ainda à prorrogação. Como Kalil, em 2013 e 2014, o então prefeito Marcio Lacerda (PSB) também não reajustou em função daqueles movimentos de rua, que começaram em São Paulo por causa do reajuste de 20 centavos e se alastraram pelo país, com várias outras reivindicações. Mas, quatro meses depois, quando as ruas sossegaram, Lacerda concordou com o reajuste que chegou a 7,5%.

Além dessa queda de braço, entre prefeito e empresas, há também o movimento político que vem das ruas, dos movimentos sociais, do Tarifa Zero, e da Câmara Municipal, onde 10 vereadores já assinaram pedido de CPI, para abrir a caixa preta dos ônibus, prometida por Kalil, mas ainda não cumprida.

FOTO AMIRA HISSA/PBH: Kalil faz o jogo político como se fosse uma partida de futebol

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