O que sinalizam as pesquisas a três meses das eleições mineiras

Os pesquisadores devem estar com medo de divulgar os dados de suas enquetes, apontando rumos do eleitorado, no momento em que esse ainda está descrente e insatisfeito, ou porque os contratantes não querem revelar tendências que não lhes sejam favoráveis.

O que temos? Até o momento, o que nos contam reservadamente, já que pesquisas só podem ser divulgadas se forem registradas oficialmente na justiça eleitoral. O que dizem é que há uma situação de virtual empate técnico na disputa entre os dois favoritos, o atual governador Fernando Pimentel (PT), que poderá, se quiser, disputar a reeleição, e o senador Antonio Anastasia, que tenta voltar ao governo quatro anos depois (2010-2014).

Do lado tucano, falam em ligeira vantagem de Anastasia; do rival, que há um empate técnico, ali dentro da margem de erro. Para o petista, não é um bom sinal, porque, como governador, que foi eleito, no 1º turno, com 52,9% dos votos em 2014, e teria perdido, em tese, muitos eleitores e vive uma situação dramática nas contas públicas, com atrasos frequentes no pagamento de salários, que já são parcelados, dos servidores estaduais.

Ainda nesta quinta (5), o Tribunal de Contas do Estado divulgou alerta ao governo pelo fato de ter gastado próximo ao limite do que permite a Lei de Responsabilidade Fiscal para pagamento de servidor. O mesmo alerta foi feito para o Ministério Público de Minas pela mesma razão. Os gastos estão consumindo 48% da receita líquida, sendo que o limite é de 49%.

Tudo somado, o peso maior do governador para a eleição deverá ser o desafio da gestão administrativa, embora sua situação jurídica inspire riscos para o futuro. Já do lado tucano, tem-se orecall (lembrança) de que seu governo foi melhor avaliado, mas o peso maior dele é a estreita ligação de Anastasia com o senador tucano Aécio Neves, que é alvo de, pelo menos, oito inquéritos sobre envolvimento com corrupção na operação Lava Jato, em um dos quais já virou réu no Supremo Tribunal Federal (STF). Aécio poderá até não disputar as eleições, mas a associação entre eles é inevitável porque ambos eram e são muito próximos na política mineira. Dizem lá que Aécio não será candidato, mas que, se for, Anastasia não será. Será?

Um terceiro sinal dos indicadores pesquisados é o de que, até agora, a terceira via não emplacou, o que reduziria as chances dos pré-candidatos a governador que buscam furar o bloqueio da polarização tucano-petista: Rodrigo Pacheco (DEM), Marcio Lacerda (PSB) e os outros que estão no páreo. Ninguém duvida também de que o índice dos não-votos, a soma das intenções pela abstenção, nulos e brancos, ainda é muito grande.

FOTO ASCOM/TRE-MG: Verdadeira pesquisa sairá das urnas do TRE mineiro

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