Simões usa déficit para desestimular rivais
- 11 de jun.
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A estratégia de esconder os números das finanças do estado foi usada durante todo o governo Zema (Novo) e, agora, também é tática eleitoral do governo Simões para desencorajar adversários. O ex-governador Romeu Zema nunca revelou os saldos das contas bancárias apesar dos consecutivos pedidos, até oficiais, da Assembleia Legislativa.

Simões tem a vantagem perante os rivais de comandar a máquina pública, foto Gil Leonardi/Imprensa Minas
Na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do ano passado, o governo previu um déficit de R$ 3 bilhões para 2026, depois, enviou o orçamento com déficit na casa dos R$ 5 bilhões. Neste ano, a LDO aponta aumento para R$ 7 bilhões no saldo negativo para 2027. Soma-se a esse desafio o gerenciamento da dívida com a União de R$ 200 bilhões, com renegociação já encaminhada. Tudo somado, os menos experientes são os mais assustados, dispostos até a adiar o enfrentamento.
O primeiro a cair na conversa de Simões foi o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que, além de adiar seu projeto, resolveu apoiar a reeleição dele. Outro argumento atraente do atual governador é que não poderá mais, caso eleito, se candidatar em 2030. Diante disso, Nikolas articula para que seu partido apoie Simões e não Cleitinho Azevedo (Republicanos), que, se vitorioso, poderia tentar a reeleição e atrapalhar seus planos.
Os riscos de ingovernabilidade por conta do estado de quebradeira de Minas deixaram Cleitinho preocupado. Tanto é que ele mantém o suspense sobre a futura candidatura. Durante os sete anos de sua gestão, Zema recorreu à falta de transparência para driblar a pressão dos servidores públicos por reajuste salarial. Em vez disso, o governo só os contemplou com reposições salariais inflacionárias. A desconfiança é, hoje, assunto entre os deputados estaduais, que, pelas mesmas razões, não têm como apurar a realidade das finanças estaduais. Além disso, se ao final do ano superar o problema, o governador poderá dizer que saneou as contas.
Meta é chegar ao segundo turno
Outra estratégia de Simões é ficar competitivo. Nos próximos dias, pesquisas internas irão medir o desempenho de seu esforço com as viagens pelo interior mineiro e pelas campanhas publicitárias partidárias e oficiais. Nos cálculos de aliados, ele quer chegar aos dois dígitos nas pesquisas durante a Copa do Mundo e alcançar o segundo turno da disputa em setembro. Uma vez lá, na disputa final, trabalharia a comparação de seus conhecimentos da máquina pública perante o concorrente.
Pacheco ignorado
Quando transferiu a capital mineira para Passos (Sul/Sudoeste), Simões fez anúncios na segurança, como a construção da nova sede da Delegacia Regional de Polícia Civil da cidade. Fez o discurso comemorativo, mas não deu o crédito devido ao senador Rodrigo Pacheco (PSB), autor da emenda parlamentar que destinou R$ 6,1 milhões e viabilizou a obra. Rival político, Pacheco tem em Passos sua base afetiva, onde passou a infância e a juventude.
Professora Cármen corrige
Professora licenciada de Direito Constitucional da PUC Minas, a ministra Cármen Lúcia, do STF, fez questão de marcar posição e corrigir o também professor de Direito e governador Mateus Simões. Ele se gabava de ter estabelecido o limite máximo de mulheres em concurso público. “Limite máximo não existe”, corrigiu a ministra, citando até decisão do Supremo.
TCE: idade favorece Ione
Além do fato de ser mulher numa corte historicamente masculina, a idade contribuiu para o consenso em torno da deputada Ione Pinheiro (União) para ser conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ela tem 62 anos e é a que tem mais idade entre os demais concorrentes. Ou seja, terão que esperar apenas 13 anos para a aposentadoria dela e surgimento de nova vaga. Aos 75 anos, servidores públicos devem se aposentar. Antes dela, Alencarzinho Silveira foi eleito e será o primeiro a deixar o TCE em 12 anos. Ao contrário deles, outro eleito, o presidente da Assembleia, Tadeu Leite, chegará ao tribunal com 40 anos, podendo ficar ali por 35 anos.
Trump faz mal a Flávio
Além de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, o presidente norte-americano Donald Trump também faz mal
ao pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL). Toda vez que os bolsonaros vão aos EUA atrás das bênçãos do aliado amargam desgastes. Dessa última viagem, Flávio Bolsonaro comemorou a classificação de “terroristas” para o PCC e Comando Vermelho. No dia seguinte, viram o tarifaço norte-americano de 25% sobre produtos brasileiros. A pesquisa presidencial Quaest, divulgada ontem, acendeu luz amarela para as pretensões bolsonaristas. O mundo da direita não radicalizada já desconfia da capacidade dele em vencer Lula nas eleições.
Entregas de Jarbas
Além de pontuar bem nas pesquisas, outro critério decisivo nas eleições deste ano são as entregas. Aí surge uma pergunta sem respostas para o pré-candidato a governador pelo PSB: quais são as entregas do ex-procurador-geral geral de Justiça de Minas Jarbas Soares?

































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