Renuncie, Bolsonaro!, recomenda ABI após nova agressão; veja lista de ataques

Após novo descontrole de Bolsonaro contra jornalistas mulheres, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) recomendou a renúncia dele em vez de esperar impeachment ou derrota eleitoral. Com seus 113 anos de luta pela democracia, a entidade reafirmou que, “decididamente, ele não tem condições de governar o Brasil”.


Diante disso, apontou outra solução que considerou até mais viável, por ser mais rápida, que ele se retirasse voluntariamente. “Então, renuncie, presidente!”, sugeriu a ABI em nota pública na segunda (21).

ABI vincula destemperos de Bolsonaro aos protestos de sábado passado, foto Roberto de Paula


A entidade vincula o destempero de Bolsonaro aos protestos contra o governo dele no último sábado (19), quando mais de 500 mil pessoas participaram de ato público no país e no exterior.


A manifestação começa por anotar as reações de descontrole, perturbação, alucinadas e desvairada do presidente, como se pode ver abaixo.


Nota oficial da ABI


Renuncie, presidente!


Descontrolado, perturbado, louco, exaltado, irritadiço, irascível, amalucado, alucinado, desvairado, enlouquecido, tresloucado. Qualquer uma destas expressões poderia ser usada para classificar o comportamento do presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira (21), insultando jornalistas da TV Globo e da CNN.


Com seu destempero, Bolsonaro mostrou ter sentido profundamente o golpe representado pelas manifestações do último sábado. Elas desnudaram o crescente isolamento de seu governo.


Que o presidente nunca apreciou uma imprensa livre e crítica, é mais do que sabido. Mas, a cada dia, ele vai subindo o tom perigosamente. Pouco falta para que agrida fisicamente algum jornalista.


Seu comportamento chega a enfraquecer o movimento antimanicomial – movimento progressista e com conteúdo profundamente humanitário. Já há quem se pergunte como um cidadão com tamanho desequilíbrio pode andar por aí pelas ruas.


Mas a situação é ainda mais grave: esse cidadão é presidente de um país com a importância do Brasil.


Diante da rejeição crescente a seu governo, Bolsonaro prepara uma saída autoritária e, mesmo a um ano e meio da eleição, tenta desacreditar o sistema eleitoral. Seu objetivo é acumular forças para a não aceitação de um revés em outubro de 2022.


É preciso que os democratas estejam alertas e mobilizados.


Diante desse quadro, com a autoridade de seus 113 anos de luta pela democracia, a ABI reitera sua posição a favor do impeachment do presidente. E reafirma que, decididamente, ele não tem condições de governar o Brasil.


Outra solução – até melhor, porque mais rápida – seria que ele se retirasse voluntariamente.


Então, renuncie, presidente!


Paulo Jeronimo


Presidente da ABI


Levantamento enumera desequilíbrios e ataques


Abaixo, segundo levantamento do jornal Folha de S. Paulo, as perguntas que levaram Bolsonaro a interromper entrevistas ou atacar a imprensa​.


“Se for nessa linha, acaba a entrevista.”


Sobre os ataques de Carlos Bolsonaro ao seu vice, Hamilton Mourão, em 25.abr.2019.


“Está encerrada a entrevista, muito obrigado.”


Sobre a divulgação de mensagens entre o ministro Sergio Moro (Justiça), enquanto juiz, e o procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol, em 11.jun.2019


“Não vou responder pergunta idiota.”


Sobre carona dada a familiares em helicóptero da Presidência em casamento de um de seus filhos, em maio daquele ano, em 26.jul.2019


“Se continuar pergunta nesse padrão, vai acabar a entrevista.”


Sobre as ofensas feitas por ele à primeira-dama francesa Brigitte Macron em postagens nas redes sociais, em 27.ago.2019


“Imprensa, gosto muito de vocês. Mas tudo é deturpado. Quando fizerem uma matéria real do que aconteceu lá na ONU, eu dou entrevista.”


Não houve pergunta, ele se recusou a falar com a imprensa antes mesmo das perguntas, em 30.set.2019


“Não tem coisas boas para perguntar para mim?”


Sobre a denúncia pelo Ministério Público Federal contra o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, em 04.out.2019


“Tá com sua mãe.”


Quando um ciclista perguntou sobre o caso Queiroz na porta do Alvorada, em 05.out.2019


Se retirou da entrevista, sem falas.


Quando foi questionado sobre críticas do decano do STF, Celso de Mello, em 29.out.2019


Diz que repórter tem “cara de homossexual terrível” e manda jornalistas ficarem quietos.


Sobre busca e apreensão realizada pela PF em endereços do senador Flávio Bolsonaro, em 20.dez.2019


“O livro é fake news, um livro mentiroso, não vou responder sobre o livro.”


Sobre o livro “Tormenta”, em que a jornalista Thais Oyama diz que o presidente orientou Queiroz a faltar em depoimento, em 14.jan.2020


“Acabou a entrevista.”


Questionado se havia conflito de interesse na atuação do secretário-chefe da Secom, Fábio Wajngarten, em 15.jan.2020


“Fora, Folha de S.Paulo, você não tem moral para perguntar. Cala a boca.”


Questionado sobre o caso Fábio Wajngarten, em 16.jan.2020


“Você está falando da sua mãe?”


No mesmo dia, no fim da tarde, questionado novamente sobre o caso de Fábio Wajngarten, em 16.jan.2020


“Já que deturpou a conversa, acabou a entrevista.”


Pergunta sobre possível saída de Onyx Lorenzoni da Casa Civil, em 30.jan.2020


“Lamento, mas não vou conversar com vocês.”


Não houve pergunta. Silêncio se deu um dia após morte de ex-PM ligado a caso de rachadinhas do senador Flávio Bolsonaro, em 10.fev.2020


“PIB? PIB? O que que é PIB? Pergunta o que que é PIB.”


Questionado sobre o crescimento de 1,1% do PIB em 2019. Bolsonaro ironizou a pergunta, não respondeu e pediu que humorista falasse com repórteres em 4.mar.2020


“Ache um brasileiro que confie no sistema eleitoral.”


Durante viagem a Miami (EUA) Bolsonaro disse que houve fraude nas eleições de 2018. Questionado sobre provas, encerrou entrevista em 10.mar.2020


Se retirou da entrevista sem responder.


Ao desembarcar em Brasília e ser questionado sobre provas diante da acusação feita por ele de que houve fraude nas eleições de 2018 em 11.mar.2020


“É o [apoiador], ele que vai falar”


Ao atender à imprensa e aos seus apoiadores no Palácio do Alvorada, Bolsonaro ignorou os questionamentos dos jornalistas em relação à data de aniversário do golpe militar de 1964 e sobre o ministério da Saúde, em 31.mar.2020.


“Cala a boca”


Ao ser questionado por repórteres sobre mudanças na Polícia Federal, Bolsonaro mandou os profissionais que lhe perguntaram calarem a boca e atacou a Folha, chamando o jornal de “canalha”, “patife” e “mentiroso”, em 5.mai.2020


“Acabou a entrevista. Valeu, gente, obrigado”


Disse durante uma entrevista coletiva em Bagé (RS), após ser indagado sobre os estudos do governo para a criação de um novo imposto nos moldes da antiga CPMF, em 31.jul.2020


“A vontade é encher tua boca com uma porrada, tá?”


Após ser questionado sobre os depósitos feitos pelo ex-policial militar Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro, em 23.ago.2020


“Acabou a entrevista”


Ao ser questionado sobre a decisão do STJ de anular a quebra de sigilo de seu filho Flávio Bolsonaro no caso das “rachadinhas” na Assembleia do Rio, em 24.fev.2021


“Não tem o que perguntar, não? Deixa de ser idiota”


Ao ser indagado pela repórter Driele Veiga, da TV Aratu, afiliada local do SBT, sobre as críticas de que foi alvo após ter posado para uma foto em Manaus com o apresentador Sikêra Júnior, da RedeTV!, e uma placa onde estava escrito “CPF cancelado”, que faz referência a pessoas que foram mortas, em 26.abr.2021


“Cala a boca, vocês são uns canalhas”


Após ser lembrado por uma repórter de uma afiliada da TV Globo que foi multado pelo Governo de São Paulo por não usar máscara, em 21.jun.2021


P.S. – Os comentários abaixo dos democratas serão muito bem-vindos!




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