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Pressões e riscos na reeleição deixam Zema à beira de um ataque de nervos

“Boteco”, “drogas”, “nocivo”… Zema volta ao ataque e é chamado de incapaz. O governador Romeu Zema (Novo) poderia ter ido dormir nessa quinta (14) sem ouvir essa, sem ser rebatido dessa forma. Por quem? Pelo presidente da Assembleia Legislativa de Minas, Agostinho Patrus (PSD). Quem fala o que quer, achando que fala verdades cruas e nuas, ouve outras igualmente cruas e verdadeiras.

Que fique claro, a capacidade do governador vai ser colocada daqui pra frente em discussão: essa será a principal questão na campanha eleitoral deste ano. Continua ou muda? Não pode haver tensão por causa disso.

Aumento da concorrência: Zema, Kalil e Viana, fotos Henrique Coelho/BHAZ + Moisés Teodoro/BHAZ + Agência Senado

Ainda assim, Zema continua sendo Zema quando o assunto é humanizar a ação pública. Pela 2ª ou 3ª vez, o governador mostrou o que ele e o seu partido pensam sobre a administração pública e os destinatários dela. No caso que lhes compete, são o povo mineiro, especialmente aqueles precisam de governo.

Álcool e drogas

Há sete meses, Zema disse que grande parte do auxílio emergencial de R$ 600,00, que teria que pagar para as famílias pobres desamparadas na pandemia, seria gasto no boteco. Foi reação à decisão da Assembleia Legislativa. Era contra, ou pelo menos não fez nada para que o auxílio social fosse viável. Comprou brigas desnecessárias com a Assembleia, como aquele cabeça de área que faz falta no meio do campo. Pra quê? A resposta só tem sentido no mundo virtual, para recuperar a imagem por meio das fake news. Seguidor não segue a verdade, mas um bom argumento para continuar onde está. Agora, o governador vem de comparar o aumento da reposição salarial aprovada pela Assembleia Legislativa como incentivo à compra de drogas. Antes que saiam notas reparadoras, dizendo que não é bem assim, Zema apenas confirmou como ele e seu partido pensam sobra a coisa pública. E outra: que o candidato à reeleição vai rezar na cartilha de seu ex-secretário Mateus Simões. O descontrole assumido pelo governador é o principal sintoma.

Fator Carlos Viana

Se há sinais de descontrole, é preciso saber de onde vem, para evitar erro de diagnóstico. Com vantagem nas pesquisas, não é a situação fiscal do Estado que incomoda Zema, mas o risco de não ser reeleito. Isso deveria ser normal em disputa pelo jogo da democracia, mas o fato novo, Carlos Viana (senador e pré-candidato a governador pelo partido de Bolsonaro), pôs a situação fora de controle. Essa é a única explicação, único fato novo, pela falta de controle oficial.

Primeira lição do atual mandato

Junto das consecutivas derrotas na Assembleia Legislativa, Zema também é pressionado por seu partido, o Novo, e pelos aliados, para definir sua chapa de reeleição. A última derrota na Assembleia veio quando “esses deputados estaduais” derrubaram seus vetos à reposição salarial ampliada de servidores, Ao contrário de seu partido, que resiste à indicação do candidato a vice por outro partido, o governador Romeu Zema quer ampliar sua base de apoio, especialmente depois que surgiu um candidato da terceira via em Minas, que afeta diretamente sua candidatura de reeleição. A possível candidatura do senador Carlos Viana, do PL, com apoio do presidente Bolsonaro, deve tirar de Zema os votos bolsonaristas.

Vice ou aliança partidária?

Por isso, Zema não quer mais um vice do Novo, mas de um dos partidos aliados. Prioriza os apoios do PP progressista e da União Brasil, para ampliar sua base de apoio na eleição e, caso seja reeleito, na futura gestão. Zema está convencido de que, na campanha, vai precisar de tempo de televisão e rádio para encarar a disputa eleitoral com o aumento da concorrência. Além de Viana, já polarizava a disputa com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, do PSD. O que querem os aliados Dos aliados, o União Brasil indicou o ex-secretário dele, Bilac Pinto, que, entre um lapso e outro, Zema o chama de Olavo Bilac, o poeta parnasiano falecido no início do século passado. O partido Novo reprova a indicação por conta de sua malsucedida experiência como secretário de Governo. O PP reivindica a vaga de vice para seu presidente estadual, o deputado federal Marcelo Aro. Já o PSDB, outro aliado, reclama de descaso e cobra espaço, caso contrário, ameaça lançar candidato próprio. Com medo de alianças com outros partidos, que considera da velha política, o Novo não quer correr riscos e indica o nome de Mateus Simões, ex-secretário de Zema.

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