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Pacheco critica polarização política até sobre técnico da Seleção

Ao advertir para os riscos à democracia, o presidente do Senado, o mineiro Rodrigo Pacheco (DEM), criticou a excessiva e destrutiva polarização política que tomou conta do país. Para o senador, o que falta ao Brasil, hoje, é liderança e estabilidade, com respeito recíproco, às diferenças e às instituições. Em vez disso, apontou que o confronto põe em risco vacinas, leitos de UTI e o tratamento da Covid-19, que deveria ser responsabilidade de médicos.

Presidente do Senado aponta falta de liderança e de estabilidade no país, foto Eric Bezerra/MPMG


“Polarizam tudo, até mesmo a escolha do técnico da Seleção Brasileira, que seria contra essa bandeira ou aquela. Isso não é bom para o Brasil. A polarização é destrutiva”, alertou ele, contra o risco de atrofiar a democracia, num contexto de que “um está certo e o outro sempre errado”. Desde domingo, o técnico Tite tem sido alvo de bolsonaristas, como o senador Flávio Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Mourão, pela reação dele contrária à realização da Copa América no Brasil em plena pandemia.


Caminho perigoso


Sua defesa enfática da democracia foi feita, nessa segunda (7), na sede do Ministério Público de Minas, em BH, onde foi homenageado pelo procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares, e pelo presidente da Associação Mineira do Ministério Público, Enéias Xavier. De acordo com o senador, quando se ignora os valores da República, tais como a cidadania, dignidade da pessoa humana e o pluralismo político, o caminho fica perigoso.


“O Brasil é algo mais amplo do que Brasília e o governo federal na defesa do Estado de Direito. Todo e qualquer sopro, arroubo ou bravata que possa retroceder a democracia deve ser repelido pelo Ministério Público, pela magistratura, pela sociedade e pela classe política. Nossa geração recebeu a democracia e precisamos mantê-la, dizendo isso a todo o instante”, pontuou Pacheco, para uma audiência que incluía o governador Romeu Zema (Novo), o presidente da Assembleia, Agostinho Patrus (PV), o presidente do TJMG, desembargador Gilson Soares, entre outros. Não citou nomes, mas o improvisado discurso tinha endereço com CEP definido.


Contra limitação ao Ministério Público


Ainda em seu pronunciamento, o presidente do Senado fez a defesa do Legislativo para a democracia. “Um Parlamento subjugado a outro Poder é um Parlamento inexistente”. Na mesma linha, reafirmou as prerrogativas de promotores e procuradores, hoje ameaçadas por projeto de mudanças no Código de Processo Penal. A exemplo da PEC 37, em 2013, tentam novamente impedir investigações pelo Ministério Público.

O procurador-geral Jarbas Soares homenageia Rodrigo Pacheco, foto Tiago Parrela/Amagis


Por outro lado, não manifestou entusiasmo com a CPI da Covid, no Senado, por entender que a sociedade espera dos senadores mais soluções para seus problemas do que conflitos. Ele ainda admitiu que, por conta da CPI, o Senado parou, sem conseguir avançar em suas pautas mais urgentes.


Jogar água nas ameaças


O anfitrião Jarbas Soares elogiou o perfil conciliador de Pacheco com um pedido. “Jogue água nas labaredas que querem consumir as garantias, a autonomia e as prerrogativas dadas pelo constituinte às instituições do Estado. Há tempo para tudo, inclusive, para deliberar. As suas mãos são limpas, use-as. Não se acomode, mas também não se apresse. Nunca se esqueça dos caminhos percorridos. Confiamos em você ”, disse.


Formado em Direito pela PUC Minas, em 2000, Rodrigo Pacheco especializou-se em Direito Penal Econômico pelo Instituto Brasileiro de Ciências Econômicas Criminais e atuou como advogado criminalista. Em 1997, foi estagiário do Ministério Público mineiro. Depois, estagiou em escritório de advocacia do qual acabou tornando-se sócio e atuou em processos como os do mensalão mineiro. Em 2014, optou pela política e se elegeu deputado federal. Em 2021, elegeu-se presidente do Senado, cargo que não contava com um mineiro há 45 anos.


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