Inteligência artificial será usada contra avanço da sífilis congênita no Brasil

Mesmo com os avanços dos últimos dois anos, o Brasil ainda enfrenta alguns desafios com a testagem para o diagnóstico da sífilis congênita - quando a infecção é transmitida da mãe para o bebê. Visando melhorar a eficácia dos testes e conferir maior qualidade aos exames diagnósticos da sífilis, o Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde – LAIS/UFRN – e a Universidade Johns Hopkins estão desenvolvendo uma nova metodologia para diagnóstico, baseada em inteligência artificial e biossensores.

Por meio de cooperação internacional, país combaterá o reaparecimento da doença


Conforme acertado, as pesquisas na área de diagnóstico da sífilis serão continuadas para o desenvolvimento de um teste diagnóstico de alta sensibilidade, baseado em sistemas embarcados, nanocompostos, biossensores e inteligência artificial para melhor o acesso e qualidade dos exames diagnósticos da sífilis na rede de atenção à saúde do Brasil.

“O nosso país tem um problema de diagnóstico porque os testes de alta qualidade não estão acessíveis para toda população. Ou seja, no Brasil, os pacientes só terão um diagnóstico conclusivo em aproximadamente 18 meses depois da notificação da de sífilis congênita”, explicou Ricardo Valentim, ressaltando que os biodispositivos nos testes que estão sendo desenvolvidos visam aumentar a sensibilidade da testagem tanto para sífilis congênita quanto para sífilis adquirida e sífilis em gestante.


Epidemia de sífilis

O novo dispositivo beneficiará o Brasil, que declarou em 2016 viver uma epidemia de sífilis em todo o território nacional. De forma semelhante, o estado do Rio Grande do Norte também ratificou essas informações e em seguida declarou estar vivendo uma epidemia de sífilis. “O trabalho beneficiará estados onde o número de notificações de sífilis é ainda mais grave. O diagnóstico mais sensível melhora a qualidade da nossa atenção à saúde”, argumentou o diretor do LAIS.

Parceria internacional


Localizada em Baltimore, Maryland, nos Estados Unidos, a Universidade Johns Hopkins é uma grande referência e pioneira no desenvolvimento de diversos procedimentos da medicina que são utilizados em todo o mundo.

A continuidade da cooperação internacional entre as duas instituições foi assinada em missão da equipe de pesquisadores do LAIS aos Estados Unidos, ocorrida no início de dezembro. Na oportunidade o diretor executivo do Laboratório, professor Ricardo Valentim, e representante do Departamento de Patobiologia Molecular e Comparativa da Escola de Medicina da Johns Hopkins, o pesquisador Lúcio Gama, assinaram o plano de trabalho que concretiza a parceria para a finalização dos equipamentos e demais reagentes necessários para a testagem.

Essa pesquisa na área de testagem foi iniciada no LAIS em 2018 em parceria com a Universidade de Massachusetts, por meio da Startup ConquerX, e já resultou em um depósito internacional de patentes. De acordo com Valentim, com a Johns Hopkins consolida-se a cooperação técnica internacional para o desenvolvimento desse dispositivo biomédico.

Repercussão positiva para outras doenças


No atual plano de trabalho, também está prevista a integração dos cientistas do Centro de Informática e Sistemas (CISUC) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Portugal. A triangulação da cooperação fortalecerá a análise de dados e os resultados obtidos com a testagem em sangue, comparando pacientes infectados e não infectados, com sífilis, validando, assim, o trabalho desenvolvido.

“Este é um trabalho extremamente importante e que terá repercussão em toda saúde global, principalmente em países que, assim como o Brasil, tem dificuldades nas questões de diagnósticos no âmbito da sífilis congênita. A boa notícia, é que já descobrimos que o mesmo princípio aplicado neste teste que estamos pesquisando poderá ser utilizado também no diagnóstico de doenças como a tuberculose e hanseníase. Portanto, trata-se de uma contribuição expressiva da ciência na qualificação do atendimento clínico ainda na atenção primária à saúde", finalizou o diretor executivo do LAIS.


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