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Discriminação e desemprego impõem às mulheres maior inadimplência

Por conta do desemprego maior e da disparidade entre os rendimentos, as mulheres lideram a inadimplência em Belo Horizonte há oito meses. A taxa de desemprego das mulheres alcançou (7,9%), em agosto último, e a dos homens, 6,9%. A diferença de rendimentos é gritante: os homens ganham, em média, R$ 4,579, ou 33,4% a mais que as mulheres, que recebem R$ 3.433. “Fora isso, as mulheres, na maioria dos casos, são as principais compradoras das famílias. Elas assumem a responsabilidade das compras e, com isso, acabam consumindo o crédito disponível com maior frequência”, avaliou o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva com base em pesquisa da entidade.

Mulheres são tidas como as principais compradoras nas famílias, foto Tânia Rego/ABr


O levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas da capital foi feito com dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Segundo os dados, no mês de agosto, em comparação ao mesmo período do último ano, a variação da inadimplência entre elas cresceu 1,99%. Já entre os homens, o avanço foi de 1,58%. O valor médio devido pelas mulheres é de R$ 4.705,89 e pelos homens, R$ 5.137,52. Ainda que o montante devido por elas seja menor, o volume de dívidas por CPF é superior, o que faz com elas estejam mais inadimplentes.


Idosos detêm maior endividamento


Na análise por faixa etária, a população de 65 anos a 95 anos apresenta maior concentração da inadimplência, com uma média de crescimento de 11,99% na variação anual (Ago. 23/Ago.22). “Grande parte dos idosos são os responsáveis financeiros pelas famílias. Com a aposentadoria, muitos têm redução na renda, mas o custo de vida fica mais elevado devido aos gastos com saúde. Como consequência, tem-se um maior comprometimento da renda e crescimento da inadimplência”, detalhou o presidente.


Expectativa é de melhora


De forma geral, a inadimplência em Belo Horizonte avançou 2,92% em agosto, em comparação ao mesmo mês de 2022. Já na variação mensal (Ago.23/Jul.23), o indicador recuou 0,98%. O valor médio devido pelos belo-horizontinos é de R$ 4.799,52. Como a média são duas dívidas por CPF, em alguns casos, o valor devido pode chegar a R$ 9.599,04.


“A inadimplência ainda impacta a vida dos belo-horizontinos. Contudo, o aquecimento do mercado de trabalho, o crescimento da renda e o programa de renegociação de dívidas, Desenrola Brasil, trazem boas perspectivas para os próximos meses. Teremos ainda o pagamento do 13º salário para grande parte da população, que utiliza o benefício para quitar dívidas. Por isso, a tendência é que este indicador melhore”, apontou o dirigente.


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