Candidato de Bolsonaro deve obrigar 2º turno entre Zema e Kalil

Ao contrário da sucessão presidencial, a terceira via em Minas poderá se viabilizar, determinando ainda a realização de 2º turno entre Zema (Novo) e Kalil (PSD) na briga pelo governo mineiro. A previsão foi feita por um especialista em pesquisas, o diretor do instituto mineiro Quaest, considerado, pelo mercado, um dos cinco melhores do país, Felipe Nunes. Cientista político e professor da UFMG, ele concedeu entrevista ao programa Entrevista Coletiva, da TV Band Minas, com a participação deste colunista do BHAZ.

Felipe Nunes concede entrevista aos jornalistas Lucas, Murilo e Orion, na TV Band, foto Luiz Santos/TV Band


Felipe Nunes avaliou que a entrada do senador Carlos Viana (PL) como pré-candidato de Bolsonaro acirrará a polarização entre o governador e o ex-prefeito de BH. A razão principal, apontada por ele, é que Viana irá atrair e tirar o voto bolsonarista da candidatura de reeleição de Zema. Com isso, cairia a alta vantagem do governador sobre Kalil, permitindo, ou determinando, a realização de um segundo turno eleitoral.


Lula e Zema estão favoritos em Minas


O pesquisador não acredita que o desempenho do pré-candidato de Bolsonaro seja suficiente para leva-lo ao segundo turno. “Em Minas, nós temos um quadro em que o atual governador é bem avaliado e ex-prefeito Alexandre Kalil também é bem avaliado na Grande BH, ou onde é conhecido”, adiantou ele, apontando que, em 2018, quando a terceira via foi eleita com Zema, havia alta rejeição entre os dois líderes da disputa. “A rejeição de Aécio Neves afetou a candidatura de Anastasia (então no PSDB) e a do PT prejudicou a candidatura de reeleição de Fernando Pimentel”, disse, explicando o quadro daquele ano.


Examinando os resultados de sua primeira pesquisa divulgada no início de abril, disse que o eleitor mineiro está escolhendo o petista Lula para presidente e Zema para governador. “O eleitor está escolhendo Lula por estar insatisfeito com o governo Bolsonaro e optando por Zema porque está aprovando seu governo”, considerou o diretor do instituto Quaest de pesquisas.


Admitiu que essa dobradinha informal entre Lula e Zema no voto do mineiro poderá mudar quando o eleitor conhecer melhor a nova configuração de candidaturas. Ou seja, a vinculação do nome de Lula ao de Kalil, caso façam alianças, poderá favorecer o ex-prefeito de BH na disputa contra Zema. Avaliou ainda que a campanha pela TV e rádio poderá ter forte influência na decisão do mineiro. “Os programas de TV e rádio (horário gratuito eleitoral) poderão servir para aumentar a rejeição de um e melhor o grau de conhecimento de outro”, admitiu.


Desencantamento com 3ª via presidencial


Já no plano nacional, duvidou das chances de uma terceira via presidencial pela indefinição da candidatura. Segundo ele, há uma ano, havia interesse de 30% do eleitorado por um nome alternativo à polarização, mas que veio caindo consecutivamente com os erros dos postulantes. “Houve um desencantamento, depois que o Dória (ex-governador de São Paulo) desistiu de desistir e que Moro (ex-juiz) mudou de partido”. Outro fator de forte influência é a disputa entre dois presidentes da República pela primeira vez na história: um ex-presidente contra o atual presidente.


Veja abaixo a entrevista na íntegra:




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