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Ato de Bolsonaro e Pazuello afronta cinco vezes o país e as leis

O ato público do presidente Bolsonaro e do ex-ministro Pazuello, no domingo (23), tem, pelo menos, cinco afrontas à realidade institucional, sanitária, econômica e política do país. A iniciativa de mobilizar seus seguidores pode ter sido ‘bom’ para ele e para seu projeto de manter-se blindado e blindar seu governo. Blindar de quê? Da omissão e cumplicidade com a catástrofe humanitária que já matou mais de 450 mil e caminha rapidamente para meio milhão de brasileiros mortos na 3ª onda da Covid-19.

General Pazuello e Bolsonaro em palanque político, reprodução Twitter


Tudo isso vai turbinar a semana política dentro da CPI da Covid, no Senado, e do Exército brasileiro. Enquanto isso não acontece, vamos nos ater às cinco afrontas mencionadas.


A primeira delas é afronta humanitária e sanitária, confrontando as recomendações médicas de evitar aglomerações e uso de máscaras. Reuniu milhares, entre eles mil policiais que fizeram a segurança do presidente. Depois de ser multado no Maranhão por ignorar e descumprir essas recomendações, ele faz o mesmo no Rio de Janeiro. O evento está sendo chamado nas redes de “abertura oficial da terceira onda da Covid no país”.


Ataque à liberdade de imprensa


Segunda afronta é a institucional e constitucional, ao atentar contra a liberdade de imprensa. Foi mais uma manifestação de truculência, intransigência, absoluto desrespeito com a atividade jornalística e a liberdade de imprensa e de expressão. Como se viu, grupos bolsonaristas atacaram a equipe de reportagem da CNN Brasil, afetando e ampliando a crescente insegurança para o exercício da profissão de jornalista no Brasil.


A terceira afronta foi dirigida à CPI que o investiga as ações e omissões do governo federal na pandemia. Além de tripudiar e atacar os trabalhos dos senadores, Bolsonaro levou à manifestação o ex-ministro da saúde, Eduardo Pazuello. Os dois estavam sem máscara como a maioria, ou a totalidade dos presentes. Na semana passada, Pazuello mentiu na CPI, protegido por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal.


Durante o depoimento, defendeu o uso de máscaras e até pediu desculpas por ter sido flagrado em um shopping sem a proteção. Sua presença no ato, desse domingo (23), e sem máscaras expôs o descaramento.


Exército foi desrespeitado pelo general


A quarta afronta é dirigida à instituição Exército Brasileiro, que impede que membros da ativa participem de palanques e atos políticos. Isso poderá acelerar a transferência dele para a reserva como punição administrativa, desde que o Exército queira reafirmar sua autonomia e respeito às próprias regras internas.


Por último, a afronta à crise econômica. Para deslocar-se até o Rio de Janeiro e passear de moto pelas ruas, o presidente torrou recursos públicos, de mais de R$ 100 mil, com o deslocamento da própria segurança. O evento não tem nenhum caráter oficial, administrativo, apenas um passeio de moto para fazer política de manifestação de apoio a quem está se debilitando politicamente a cada dia.


De acordo com o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o ex-ministro Pazuello se autoindiciou com o gesto. “Se essa CPI não pedir o indiciamento do ex-ministro, ela não terá razão de existir. Componha o depoimento dele com os fatos de domingo e você terá aí os movimentos para isso. Pazuello foi incluído no rol dos indiciados, não por mim, não pelo Renan [Calheiros, relator da comissão], mas pelos atos dele”, completou.


PT vê deboche; PSDB aponta desrespeito


O senador Humberto Costa (PT-PE), também membro da CPI, classificou como um “deboche” à população e um ato para tentar desmoralizar a CPI a aglomeração realizada no Rio de Janeiro. “Eu acho que está debochando da população, tentando desmoralizar a CPI, cometendo reiteradamente crime contra a saúde pública. Parlamento, Judiciário e Ministério Público têm que se posicionar sobre isso”, afirmou.


O PSDB divulgou nota na qual criticou a presença de Pazuello no evento. “Um general de divisão do Exército Brasileiro participando de um evento de natureza política não condiz e não respeita a instituição da qual faz parte. Como instituições do Estado brasileiro, nossas Forças atingiram grau de maturidade institucional e o respeito de toda sociedade.” O presidente do Cidadania, Roberto Freire, pediu a punição de Pazuello. “O Alto Comando do Exército não pode deixar passar tal gesto de quebra de hierarquia e indisciplina.” Segundo ele, as Forças Armadas devem deixar claro que não serão transformadas em instrumento político.


Sindicato e Fenaj repudiam agressão


O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio e a Federação Nacional dos Jornalistas repudiaram, em nota, os ataques ao repórter da CNN Pedro Duran durante o evento. O repórter foi impedido de exercer sua função profissional e teve que ser escoltado por policiais militares para escapar dos manifestantes.


Os ataques que profissionais de imprensa vêm sofrendo por parte de grupos de apoiadores do presidente passaram a ser frequentes e, lamentavelmente, são alimentados por Jair Bolsonaro, segundo a nota. A CNN Brasil também divulgou nota sobre o episódio, “repudiando veementemente qualquer tipo de agressão”. Diz ainda o texto: “Acreditamos na liberdade de imprensa como um dos pilares de uma sociedade democrática. Os jornalistas têm o direito constitucional de exercer sua profissão de forma segura, para noticiar fatos dentro dos princípios do apartidarismo e da independência”.


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