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Após tropeços e quatro candidatos, Zema 2.0 sofre nova derrota na Assembleia

É impressionante como a política supera a arrogância e impõe a humildade mesmo a quem tenha mostrado força para ser o terceiro govenador de Minas reeleito. Menos de quatro meses após esse feito, Romeu Zema (Novo) provou de tudo, desde imposições, erros grosseiros de articulação política, traições e, agora, a derrota antecipada. Chegou a ter quatro candidaturas a presidente da Assembleia, das quais desprezou duas e assumiu a de seu líder, Roberto Andrade (Patriota). No desespero, aliou-se até ao partido que derrotou nas eleições, o PSD, com a candidatura do deputado Duarte Bechir, mas foi estratégia natimorta.

Tadeuzinho teve o apoio de Agostinho Patrus (PSD), Gustavo Santana (PL) e dos petistas Ulysses Gomes e Cristiano Silveira, foto Guilherme Bergamini/ALMG


Antes mesmo das eleições, que acontecem daqui a oito dias, no próximo dia 1º, Zema jogou a toalha após ser derrotado em todos os movimentos e candidaturas que tentou lançar. Enfrentou e derrotou o nervoso Alexandre Kalil (PSD) nas eleições de outubro, encarou e ainda desafia o presidente Lula (PT), mas foi derrotado por Tadeuzinho, que será candidato único a presidente.


Independência vence desprezo


Tadeu Leite é deputado estadual pelo MDB, de apenas 36 anos, completando três mandatos. Ganhou de Zema sozinho? Não, mas por uma ideia, pelo que ele representa hoje: a independência do Legislativo, que o partido Novo nunca entendeu e sempre desprezou. Daí as consecutivas derrotas do governo em uma disputa que, em tese e em lucidez política, não era dele.


Quem melhor traduziu a atual situação foi o ainda presidente da Assembleia, Agostinho Patrus (PSD). “A luta contra a Liberdade é inglória. Quem experimenta o delicioso sabor da independência não agrada mais do fel da subordinação. O gosto está na boca dos parlamentares. Parabéns Tadeu, sucesso!”, tuitou ele, direto do Canadá, onde passa férias com a família e de onde ajudou a articular esse desfecho. Foi o primeiro a anunciar a definição.


“Fim do trabalho escravo”


A reação de boa parte dos deputados também se resume na frase de um deles, Gustavo Santana (PL): “O trabalho escravo acabou. Viva a liberdade”, pontuou ele, reafirmando o que sempre disse sobre a independência do Parlamento. Apoiador de Zema, e que continuará aliado, Santana foi o primeiro a se rebelar, levando seu partido, o PL, a dar o golpe fatal na candidatura governista. Zema se aborreceu com o que chamou de traição de um partido que “deu sangue” nas eleições de outubro.


A eleição para presidente da Assembleia não é mais, como era até recentemente, sujeita a influência do governador de Estado, que, para isso, sempre ia ao ‘mercado’ comprar deputados. Agora, os deputados entenderam a importância dessa independência, embora muitos ainda sejam vulneráveis ao assédio governista em votações de projetos.


Ninguém quer ficar contra


Além disso, a tradição no Legislativo sempre foi de chapa única e de consenso, como será novamente apesar de tudo. Nenhum deputado quer correr o risco de ficar contra (a votação é aberta e nominal) o futuro presidente da casa. É uma questão de sobrevivência política, já que seus projetos, para serem votados, irão depender da pauta feita pelo presidente.


Ao desistir da disputa, Zema chamou Tadeuzinho ao palácio, para tentar um acordo e uma saída honrosa. Sem condições de impor, deve ter feito apelo para que seus projetos sejam votados, convencido de que Agostinho Patrus o boicotou. Tadeuzinho deve ter dito que apoiará os bons projetos para Minas e os colocará em votação, mas que não fará papel de líder do governo, e que o Plenário do Parlamento decida por todos.


Futuro de secretário em especulação


A partir dos tropeços e trapalhadas, começam as especulações sobre o futuro do secretário de Governo, Igor Eto, coordenador político do governo Zema junto à Assembleia. Ele tentou bancar um único candidato governista; ao final, Zema entrou em campo para apagar o incêndio e evitar a derrota maior no confronto do plenário. A batata do secretário deve estar sendo assada, dentro e fora do governo. Pode ser que sobreviva com o aprendizado e apoio amigo do chefe. Reprovado nesse teste de fogo, a sobrevivência dele estará em garantir uma boa base parlamentar para garantir a aprovação dos projetos governistas.



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