consultoria_lgpd_blogs_agosto_2022_Blog_Orion.png

Após recuo, Bolsonaro retoma extremismo a menos de 9 meses da eleição

No aniversário de um ano da invasão do Congresso norte-americano, por conta do resultado eleitoral de lá, Bolsonaro reabriu, na quinta (7), campanha contra os resultados da votação de cá, que só acontece no final deste ano. No mesmo tom, atacou novamente a vacinação contra a Covid, desta vez, a imunização em crianças de 5 a 11 anos.


Como se sabe, extremistas norte-americanos invadiram o Congresso, principal símbolo da democracia dos EUA, após a derrota de Donald Trump, amigo e aliado de Bolsonaro. Os sinais são de que Bolsonaro, temendo derrota no final do ano, retomou a mobilização de seus seguidores contra os futuros resultados da eleição a menos de 9 meses da votação. E monta todo o ambiente, ao voltar de uma internação por problemas intestinais, provocados pelos excessos das farras de fim de ano, propagando riscos de novo atentado contra ele, a exemplo daquele de 2018, quando sofreu uma facada.

Bolsonaro não precisou passar por cirurgia para receber alta (Reprodução/TV Brasil/YouTube)


Alimentar tese conspiratória


Colocar esse episódio em dúvida, assim como as investigações do caso, é colocar a lenha na fogueira que ele está tentando acender novamente. Nem a Polícia Federal comandada por ele conseguiu concluir o inquérito do caso. Providencial, porque assim pode continuar a usar o episódio e criar uma rede de conspiração fantasiada por ele e por sua rede de fake News.


No caso da vacina, ele repete tudo aquilo que a CPI da Covid, no Senado, descobriu e provou sobre seu negacionismo da realidade e da ciência, omissão na pandemia, negligência e descaso que abriu portas para corrupção na compra de vacinas.


Ataques contra Agência do governo


Desta vez, como a CPI já encerrou seus trabalhos e entregou suas conclusões ao Ministério Público Federal, que, até hoje, nada fez, Bolsonaro agora ataca a principal agência de seu governo. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nomeada por ele, mas sem poder de demitir os indicados, já que, por lei, têm mandato e são independentes. Pôs em xeque o interesse da Anvisa, que, segundo a mesma lei, tem o dever de zelar pela saúde da população, e chamou seus integrantes de “tarados por vacina”. Tomou uma invertida do presidente da Agência, Antônio Barra Torres, que lhe cobrou retratação ou apresentação de provas contra si.


O presidente não fez o mesmo com o comandante do Exercito, general Paulo Nogueira de Oliveira, que exigiu vacinação completa de seus comandados para voltar ao trabalho a partir deste ano. O general poderia até ser desnomeado do comando, mas aí é seria outra história da qual Bolsonaro quer passar longe. E mais, no documento que divulgou a seus comandados, o general proibiu o compartilhamento de fake News.


Onda golpista


O filme já foi visto no ano passado, quando Bolsonaro desencadeou ataques contra instituições democráticas, em especial o Supremo Tribunal Federal, o voto e urna eletrônicos e a justiça eleitoral. Houve depois, um cessar-fogo, um recuo dele diante da reação dessas mesmas instituições. Como o ano é eleitoral e seu mandato estará em julgamento e, por isso mesmo em risco, Bolsonaro recorre a métodos antidemocráticos, rede de mentiras e fakes para reacender a onda golpista.


No dia 6 de janeiro último, nos EUA, o presidente Joe Biden fez ataques ao ex-presidente Donald Trump, em discurso para marcar um ano da invasão do Congresso por apoiadores do antecessor. Segundo Biden, pela primeira vez na história daquele país, um presidente tentou impedir a transição pacífica de poder com uma multidão violenta que atacou o Congresso. O desafio de lá como de cá é que ataques como aquele não aconteçam mais nos EUA nem aqui.


LEIA MAIS: Defesa da democracia e das instituições marca posses em Minas




MAIS LIDOS
diamantina2.png
banner affemg e sindifisco contra rrf.png
RECENTES
ARQUIVO