Bolsonaro e Lula entram na briga pela prefeitura de BH por seus candidatos

Era só um treino, mas parecia jogada ensaiada. No mesmo dia (quinta, 23) em que o ex-presidente Lula (PT) deu entrevista falando da eleição em BH, o presidente Bolsonaro, alertado, fez live mandando recado sobre mesmo tema. Lula reapareceu e conversou com o jornalista Eduardo Costa (Rádio Itatiaia) sobre vários assuntos. Disse que o PT está vivo e que terá candidato próprio a prefeito da capital mineira, no caso, o pré-candidato Nilmário Miranda, que foi seu ministro dos Direitos Humanos (2003/2005).

Lula disparou críticas contra Bolsonaro (Ricardo Stuckert/Lula e Marcos Corrêa/PR), colagem BHAZ

Em sua live das quintas, Bolsonaro disse que não quer entrar nas disputas municipais, mas que, em Belo Horizonte, tem apreço por um nome, de quem gosta muito. Não disse o nome, mas a associação é feita ao deputado estadual bolsonarista fiel, Bruno Engler (PRTB), de 23 anos. Na Assembleia Legislativa, Bruno defende tudo que Bolsonaro faz ou deixa de fazer, além de ter a artilharia apontada sempre para o PT e o prefeito de BH, Alexandre Kalil (PSD).

Três razões para avaliar Bolsonaro

Bolsonaro diz que não pretende entrar na disputa municipal deste ano, mas aí tem que interpretar três vezes e não apenar ler. Primeiro, não vai entrar porque não conseguiu montar o próprio partido, o chamado Aliança, isso é fato. Segundo, há sempre o risco de perder e sair chamuscado. Até porque boa parte do debate eleitoral terá foco nacional, entre saúde e economia, por conta da pandemia.

E mais, especialmente pela maneira equivocada, omissa e até irresponsável que o governo federal e outros governantes (governadores e prefeitos) conduzem o combate ao coronavírus. Por essas e outras, é que a eleição sempre funciona como uma espécie de plebiscito. Aprova ou desaprova quem está ligado (a) determinado governo. Isso é inevitável.

Em terceiro lugar, a leitura na política costuma ser o contrário do que se fala. Ou seja, Bolsonaro vai entrar na campanha sim, onde ele avaliar que tem chances de dizer que “elegeu algum aliado”, para dar sobrevida ao bolsonarismo.

Pesquisa aponta razões da avaliação

Sobre isso, a pesquisa divulgada pelo Data Poder, do site Poder 360, mostrou várias situações da aprovação e reprovação dele e de seu governo. Primeira, a de que ele está controlando a reprovação alta com o coronavoucher. Entre os que receberam o auxílio emergencial (R$ 600,00), aprovado pelo Congresso Nacional, ele tem a aprovação de 52%, mas fora daí, no geral, o governo é mais reprovado do que aprovado.

E onde está a reprovação maior dele? Nas regiões Sudeste e Nordeste, entre as mulheres, entre aqueles que tem curso superior, a faixa etária acima dos 45 anos e a faixa de renda acima de 10 salários mínimos.

Objetivos de Lula e do PT

Voltando a Lula, o petista ainda criticou Bolsonaro e seu fracasso no combate à pandemia. Apoia o impeachment dele, mas sem muita convicção. Falou mais da pré-candidatura de Nilmário Miranda e de suas chances, das possibilidades de aliança com o centro-esquerda. Mas o que o PT e Lula mais querem, em Belo Horizonte, não é reconquistar a prefeitura. Essa seria uma segunda meta, mas a principal é manter o partido vivo na política e reeleger a maior parte da bancada de vereadores em BH.

A meta é de eleger, pelo menos, cinco, e outros tantos no interior, além de conquistar algumas prefeituras importantes fora da capital.

“O PT precisa ter coragem de ir para a rua defender o seu legado. Mostrar que o PT governou com o Patrus Ananias, com o Célio de Castro, depois com o (Fernando) Pimentel. O PT fez história na Prefeitura de Belo Horizonte. É isso que temos que resgatar para ver quem tem mais capacidade de governar”, disse Lula.

Cabo eleitoral apenas

Se a pandemia deixar, o ex-presidente pretende virar cabo eleitoral do partido nessas eleições. Ele não pode ser candidato, já que foi condenado em 2ª instância no caso do Triplex do Guarujá. Lula ficou mais de 600 dias presos até ser libertado em novembro de 2019. Ele deixou a prisão porque o Supremo Tribunal Federal reafirmou que condenados que não foram sentenciados em trânsito e julgado podem aguardar em liberdade.

“Com muita tranquilidade quero provar que se teve uma quadrilha neste país ela foi montada pela força-tarefa da Lava Jato. Essa gente invadiu minha casa, de todos os meus filhos, não encontraram nada, e não tiveram a decência de dizer que não tinha absolutamente nada”, rebateu Lula.

Como ficam os outros?

É preciso anotar ainda que ambos os candidatos de Lula e de Bolsonaro terão que disputar em BH com outros nomes, entre eles, o apontado como favorito nas pesquisas, o atual prefeito Kalil. Além deles, existem outros 10 ou mais pré-candidatos, como João Vitor Xavier (Cidadania), Rodrigo Paiva (Novo), Luísa Barreto (PSDB), Áurea Carolina (PSOL), entre outros.

LEIA MAIS: Cidade mineira briga por Bolsonaro em outdoor contra e a favor

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