Efeitos jurídicos e políticos das revelações do vídeo da reunião ministerial

25.05.2020

Os desdobramentos da crise só vão piorando o ambiente político e jurídico, deixando muita tensão no ar com o choque poderes da República. A divulgação do vídeo da reunião ministerial, de 22 de abril, expôs um governo desfocado da realidade, pelo menos, do Brasil que sofre uma crise sanitária que já matou mais de 22 mil. Sem pauta objetiva, Bolsonaro orientou essa reunião sobre um governo acuado e que precisa ser defendido o tempo todo ante ameaças que só ele enxerga, quando não, ele próprio as cria.

Bolsonaro e seu vice, Hamilton Mourão, na reunião ministerial do dia 22 de abril, reprodução YouTube

 

A exposição das entranhas do governo teve efeitos que podem ser avassaladores. Nada a ver com as provas alardeadas pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro sobre intervenção política do presidente da Polícia Federal. Até porque nem mesmo Bolsonaro esconde isso. Os impropérios do presidente estão mais sujeitos ao julgamento político (impeachment) do que jurídico pelo cometimento de algum crime.

 

Do ponto de vista da opinião pública, há resultados esquizofrênicos e bipolares. A exposição dos palavrões e do pensamento do presidente e de seus ministros reforçaram o posicionamento dos bolsonaristas. Ao contrário das redes sociais, no mundo real, as pesquisas de opinião vão registrando, cada vez mais, o aumento da rejeição ao estilo e gestão de Bolsonaro.

 

Relatório vê engajamento nas redes sociais


Um relatório feita pela empresa de gestão e consultoria DL Rosenfield indicou que o vídeo da reunião foi visto com entusiasmo e grande engajamento entre os apoiadores. Foram identificados sinais de “idolatria em níveis preocupantes” entre os seguidores e que essa parcela adota uma “postura defensiva intransigente” de militância.

 

Segundo o levantamento, entre os opositores, também prevaleceu a avaliação de que o vídeo favorece Bolsonaro. Embora consideraram que a gravação comprova as denúncias e mostra, com os palavrões e arroubos, a “inaptidão” do presidente em comandar o país.

 

Outra análise, da consultoria Bites, complementou o relatório, afirmando que o tom das redes foi “extremamente positivo” para o presidente. Avalia que “a militância bolsonarista nunca esteve com um discurso tão alinhado e afinado e tão pronto desde o início da crise da pandemia do coronavírus.

 

Descompasso com o mundo real


Por outro lado, há uma descoberta interessante de terceiro instituto, o mineiro Quaest Consultoria e pesquisa, que faz medições de popularidade no mundo virtual e no real. De acordo com essas medições, pode-se concluir que a popularidade digital de Bolsonaro, a maior entre os políticos, não tem sido suficiente para garantir sua aprovação ou de seu governo no mundo real.

 

Ele mantém a liderança no mundo digital por sua estratégia de polemizar e difundir fatos novos, ainda que sejam negativos, praticamente todos os dias. A média do presidente no Índice de Popularidade Digital (IPD), medido pelo Quaest é 77,7.

 

A liderança de Bolsonaro no monitoramento só foi ameaçada em alguns momentos com a queda de dois ministros, Luiz Mandetta (Saúde) e Sérgio Moro (Justiça). Eles chegaram perto do índice do ex-chefe, mas, após deixarem o governo tiveram queda brusca nessa modalidade de avaliação.

 

Popularidade digital é restrita


Ainda assim, ficou claro que a popularidade digital não tem uma relação direta com a aprovação, ao contrário, que têm avaliações opostas entre si. Tanto é que, apesar do IPD em 77,7, a aprovação do governo Bolsonaro diminuiu em maio, dando lugar a uma maior taxa de reprovação.

 

De acordo com os dados da pesquisa XP Ipespe, divulgados no dia 19 passado, a avaliação positiva, bom ou ótimo, era de 27% dos entrevistados no dia 30 de abril. Agora, foi para 25%. A reprovação, ruim e péssimo, foi a 50%. Foram consultados mil entrevistados.

 

Resumo da ópera, Bolsonaro é mais popular nas redes e o mais mal avaliado nas pesquisas, sinalizando que a visão do mundo real não é a mesma do mundo das redes sociais.

 

Processo do ‘fim do mundo’


Do ponto de vista jurídico e político, a investigação caminha para aquilo que eles chamam, em Brasília, de “processo do fim do mundo”. A capital federal está habituada a terremotos e tsunamis políticos, claro.

 

O teor do vídeo e os depoimentos já dados serão decisivos para que a Procuradoria Geral da República conclua se irá denunciar o presidente Jair Bolsonaro ou não. As acusações que pesam contra ele são de corrupção passiva privilegiada, obstrução de Justiça e advocacia administrativa por tentar interferir na Polícia Federal.

 

O ponto principal do vídeo é aquele em que Bolsonaro se queixa, em tom irritado, da falta de informação dos órgãos de inteligência e de uma suposta perseguição a familiares. Outros ministros podem sofrer processo, como o da Educação, Abraham Weintraub, por calúnia e difamação contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). 

 

LEIA MAIS: Redes sociais não seguram declínio da aprovação de Bolsonaro no mundo real

 

 

 

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