Última reunião ministerial de Bolsonaro teve ‘sacanagem’, vídeo e mentiras

17.05.2020

A situação lembra um filme hollywoodiano de sucesso, do final dos anos 80, chamado ‘Sexo, mentiras e videotape’, que adaptado aos dias de hoje poderia virar “Sacanagem, vídeo e mentiras”. A cada nova versão, divulgação de mensagens e trechos do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, a última da qual participou o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, dois dias antes de deixar o governo.

 

O vídeo ainda não foi divulgado, mas com certeza será e poderá esquentar as publicações deste final de semana. Nos trechos divulgados pelo próprio governo, Bolsonaro usou palavrões, falou que queriam “fuder” sua família, fazer “sacanagem” com os seus filhos. Dizem que é seu jeitão e nem explicaram o que seria uma coisa e outra.

Bolsonaro realiza a primeira reunião com seus futuros ministros em dezembro de 2018, foto Agência Brasil


Dito isso, o presidente reafirmou na reunião que iria “interferir em tudo e ponto final”, ao reclamar de informações privilegiadas da Polícia Federal e outros setores de inteligência do governo. Que demitiria o diretor, o chefe dele e até o ministro. Não citou nomes, e o governo disse que ele estava falando da segurança da família e não da Polícia Federal (PF).

 

Demissão atingiu só a PF e Moro


No entanto, dois dias depois quem caiu foi o diretor da PF, Maurício Valeixo, com ministro e tudo, no caso Sérgio Moro. “Eu não falei Polícia Federal, falei PF”, foi o que disse após ser exposto às contradições. A situação vai agravando a situação política e jurídica de Bolsonaro. Por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), o governo divulgou apenas as falas do presidente, que o expõem e o contradizem. Imagine o restante da fita caso seja divulgada ou vazada.

 

Com a palavra o ministro decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, que avalia, na próxima segunda, se dará publicidade ou não ao vídeo da reunião. A questão, sr. ministro, não é revelar segredos de estado, mas a necessária transparência de quem lida com a coisa pública e deveria tratá-la de maneira republicana. Ou seja, com impessoalidade e sem misturar família com o interesse público. Nem que seja por pedagogia, ministro, libere o vídeo. Quem não aprendeu, terá boa oportunidade.

 

Bolsonaro diz, agora, que não fará mais reuniões ministeriais, como quem tira o sofá da sala para evitar intimidades no namoro da filha.

 

Fala do presidente, na reunião de 22 de abril, segundo a AGU


“Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações; eu tenho as inteligências das Forças Armadas que não têm informações; a Abin tem os seus problemas, tem algumas informações, só não tem mais porque tá faltando realmente… temos problemas… aparelhamento etc. A gente não pode viver sem informação. Quem é que nunca ficou atrás da… da… da.. porta ouvindo o que o seu filho ou sua filha tá comentando?

 

Tem que ver pra depois… depois que ela engravida não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes. Depois que o moleque encheu os cornos de droga, não adianta mais falar com ele: já era. E informação é assim. [referências a Nações amigas]. Então essa é a preocupação que temos que ter: a “questão estratégia”. E não estamos tendo. E me desculpe o serviço de informação nosso – todos – é uma vergonha, uma vergonha, que eu não sou informado, e não dá pra trabalhar assim, fica difícil. Por isso, vou interferir. Ponto final. Não é ameaça, não é extrapolação da minha parte. É uma verdade”.

 

A transcrição mostra que o presidente Jair Bolsonaro disse que não iria esperar “foderem” alguém de sua família ou 1 amigo para trocar o comando da PF no Rio de Janeiro. “Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar foderem minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira”, declarou.

 

Bravata de Bolsonaro esvazia sua defesa e deve impor-lhe nova derrota

 

 

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