Bolsonaro decide demitir Mandetta e mudar ações do governo sobre pandemia

15.04.2020

Antes de demitir o ministro da Saúde, Luiz Mandetta, o presidente Jair Bolsonaro decidiu também dar guinada no discurso oficial sobre o enfrentamento da pandemia. De hoje até sexta, Mandetta deverá cair pelas divergências e por ter, principalmente, cobrado discurso único do governo. Sua queda irá provocar a unificação reclamada. No enquadramento feito, o governo fará discurso a favor da vida, mas a mantém no mesmo patamar da economia.

Cena da campanha publicitária que o governo vai colocar no ar 

 

A campanha publicitária, a primeira oficial desde que eclodiu a pandemia, já está pronta e difere da anterior, que foi vetada pelo Supremo Tribunal Federal. Naquela, o foco era contra o isolamento social e o fechamento do comércio, sob o título “O Brasil não pode parar”. Desta vez, o governo não trata das medidas de restrição adotadas e diz que sua preocupação é com a vida dos brasileiros e faz prestação de contas. Diz que investiu R$ 16 bilhões na compra de respiradores, ventiladores pulmonares, equipamentos de segurança e medicação.

 

Vídeo não fala de medidas contra doença
 

“Estamos distribuindo 22 milhões de testes em todo o país. Destinamos R$ 50 milhões para pesquisas e garantimos ajuda financeira de R$ 3 bilhões para estados e municípios. A prioridade é proteger a vida dos brasileiros”, diz o narrador, que, a partir daí, volta a mostrar a preocupação do governo com a economia.

 

“Mas não podemos deixar de lado questões fundamentais para vencer essa crise, como preservar empregos e manter a renda da população. Aprovamos auxílio emergencial de R$ 600 para os mais vulneráveis. E destinamos R$ 40 bilhões em crédito para micro e pequenas empresas. Novas medidas continuarão a ser tomadas porque a vida dos brasileiros vem em primeiro lugar. Trabalhar para proteger a vida e os empregos. Esse é o nosso compromisso”, conclui a peça que não traz nenhuma orientação para que o cidadão evite o contágio. Ou seja, não fala em isolamento social, seja horizontal ou vertical, nem sobre o fechamento do comércio não essencial.

 

Vice disse que Mandetta cometeu falta grave


Nessa terça (14), o vice-presidente Hamilton Mourão apontou que Mandetta “atravessou a linha da bola e cometeu falta grave”. Já o ministro negou que estivesse tentando forçar sua demissão com as declarações que deu no domingo, no Fantástico, da TV Globo. Integrantes do Palácio do Planalto teriam se mostrado insatisfeitos com “indiretas” do ministro sobre a postura der Bolsonaro.

 

No final de semana passado, o presidente ignorou as orientações do Ministério da Saúde e passeou pelas ruas de Brasília e do município goiano de Águas Lindas, causando aglomerações. Após a entrevista, Mandetta teria perdido o apoio da ala militar do governo que o sustentou, até agora, no enfrentamento ao presidente.

 

Bolsonaro, Mandetta, Zema ou Kalil: a quem devemos ouvir na pandemia?

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