Com ameaça de protesto de policiais na porta de sua casa, Zema libera pagamento

No meio da tarde desta segunda (6), o governador Romeu Zema (Novo) anunciou o pagamento dos salários dos policiais e de servidores da Saúde para a próxima quinta (9). E o fará integralmente, sem parcelas. A medida só foi tomada depois que policiais ameaçaram fazer protesto na porta de sua casa, na Pampulha, nesta terça (7), 5º dia útil, se o pagamento não fosse feito, conforme o combinado.

“O pagamento será possível devido a um grande esforço do Estado em seu fluxo de caixa e contempla profissionais que estão na linha de frente do combate ao coronavírus nos 853 municípios mineiros”. Esse é o teor da nota divulgada pela Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag).

Romeu Zema e Agostinho Patrus, foto Luiz Santana/ALMG

Por outro lado, os outros servidores não têm ainda sequer data para o pagamento. “Em razão da queda de arrecadação ocasionada pela pandemia, ainda não é possível anunciar a escala de pagamento de todos os servidores. Esse anúncio será feito tão logo seja possível”, completa a nota oficial.

Atraso pode ser maior para outros servidores

Para esses, o indicativo é de atrasos maiores dentro do mês, ou fora dele. A notícia angustia ainda mais as pessoas que vivem de seus salários, especialmente em tempos de pandemia.

Outra situação dolorosa é que o estado está avaliando, ou permitindo, o corte de salários daqueles servidores que não são efetivos, como os terceirizados. As lideranças do professorado já denunciam corte à metade de cantineiras de escolas estaduais. O secretário geral do governo, Mateus Simões (Novo), negou a possibilidade, mas reconheceu que o governo está suspendendo vários contratos com terceirizadas.

Ajuda extra de quase R$ 1 bilhão

O governo estadual continua reclamando de queda na arrecadação, mas também tem recebido apoio de todos os lados. A Assembleia Legislativa, por exemplo, aprovou todos os projetos que pediu em estado de calamidade, autorizou o uso de cerca de R$ 300 milhões, incluindo aa emendas impositivas dos deputados estaduais.

O Judiciário mineiro desbloqueou R$ 500 milhões da mineradora Vale, retidos após a tragédia que provocou em Brumadinho (Grande BH), com cerca de 300 mortes. O mesmo Judiciário está liberando outros R$ 15 milhões, recursos da prestação de penas pecuniárias e custas judiciais, para equipar e subsidiar hospitais.

O governo federal liberou cerca de R$ 100 milhões, com os quais o estado está construindo um hospital de campanha em BH. Enfim, todos estão fazendo esforço. O governo precisa reconhecer isso e fazer sua parte. Não basta apenas ter compreensão com alguns empresários na hora de recolher os impostos.

Associação de policiais fala em “guerra” a governador

O governo previa pagar o 13º salário de quem ainda não recebeu até o final de março. Não conseguiu cumprir. No mês passado, frustrou servidores, especialmente da área de segurança, com reajuste anunciado e cancelado. Restaram das promessas uma reposição de 13% para os policiais no mês de agosto e o anúncio de retorno do pagamento de salários até o 5º dia útil.

Antes do anúncio, a Associação de Praça Policiais e Bombeiros Militares (Aspra) havia divulgado nota de repúdio em tom elevado. “A postura do governador demonstra, mais uma vez, que o governo não valoriza a classe e a deixa em segundo plano. Ao plantar o anúncio dessa guerra, deverá colher uma grande crise de governabilidade”, advertiu.

E mais: “Portanto, caso persista nessa decisão, Zema sofrerá sérias consequências. A classe ainda amarga a decepção de ter desrespeitado o acordo firmado a respeito da recomposição salarial, projeto este que foi vetado pelo governador”.

Votação remota dá amplos poderes a Zema para combater pandemia

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