Taxar super-ricos poderia render R$ 116 bilhões para enfrentar epidemia

25.03.2020

Em vez de cortar salários dos trabalhadores, o presidente Jair Bolsonaro poderia criar imposto para os super-ricos, que, juntos, acumulam fortuna de R$ 1,2 trilhão. Com a taxação de apenas 3% sobre o montante, seria possível arrecadar R$ 36 bilhões, valor superior ao orçamento de 1 ano do Bolsa-Família. E mais, se taxasse em só 1% o patrimônio das famílias mais ricas, a receita poderia chegar a R$ 80 bilhões. Somados, renderiam R$ 116 bilhões aos cofres públicos a mais para enfrentar os efeitos da pandemia do coronavírus.

Reunião da Fenafisco com entidades parceiras, foto site do Fenafisco

 

 

A proposta foi formalizada, na segunda (23) por um conjunto de entidades lideradas pela Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco). Entre elas, a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), os Auditores Fiscais pela Democracia (AFD) e o Instituto Justiça Fiscal (IJF). Eles divulgaram um documento com 14 propostas para serem implementadas a fim de amenizar os impactos econômicos da Covid-19 no país.

 

“O Brasil possui 206 bilionários que, juntos, acumulam uma fortuna de mais de R$ 1,2 trilhão. Esses 206 bilionários pagam proporcionalmente menos impostos que a classe média e os pobres. A soma de toda a riqueza das famílias brasileiras é de cerca de R$ 16 trilhões, estando a quase metade de toda essa riqueza – ou seja, R$ 8 trilhões – nas mãos de apenas 1% das famílias”, argumentou o presidente da Fenafisco, Charles Alcântara.

 

Quantia equivale à receita de Minas Gerais


De acordo com ele, se o país taxasse o patrimônio trilionário dessas famílias em apenas 1%, seria possível arrecadar R$ 80 bilhões. “Isso equivale ao valor de toda a receita estimada em 2020 para o Estado de Minas Gerais, o segundo mais populoso do Brasil, com mais de 20 milhões de habitantes”, sustentou.

 

E sugere fazermos as contas: R$ 36 bilhões cobrados da renda dos 206 bilionários e R$ 80 bilhões sobre o patrimônio do 1% das famílias mais ricas somariam R$ 116 bilhões. 

 

“Esses R$ 116 bilhões a mais nos cofres públicos sequer representam sacrifício para esse punhado de bilionários, mas equivale a praticamente todo o orçamento federal da saúde. Se chamados a contribuir um pouquinho mais com o país, garanto que nenhum desses bilionários deixaria de frequentar os melhores restaurantes do mundo, satisfazer todos os seus desejos mais extravagantes ou deslocar-se nos seus jatinhos executivos de última geração”, afirmou.

 

Fundo de emergência de R$ 100 bi


Desse total, R$ 100 bilhões iriam especificamente para um Fundo Nacional de Emergência. Os recursos para abastecê-lo sairiam da tributação da renda e do patrimônio dos super-ricos através da taxação de dividendos, grandes heranças e fortunas, entre outras medidas.

 

A proposta foi apresentada pelas entidades no mesmo dia em que o presidente Bolsonaro tentou, por meio de Medida Provisória, cortar os salários dos trabalhadores em meio à crise. Alcântara criticou também os donos do jornal O Globo, que, em editorial de sexta (20), defenderam a redução dos salários dos servidores públicos.

 

“Eles fazem parte dos 206 bilionários e das famílias brasileiras que detêm, juntas, um patrimônio de R$ 8 trilhões. A família Marinho não se dispõe a abrir mão de uma parcela insignificante da sua fortuna para ajudar o país, mas se acha no direito de propor que os servidores públicos sejam confiscados em seus salários”, criticou.

 

Confira aqui as 14 propostas das entidades e, se quiser, pode dar seu apoio às medidas

 

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