Efeito do ‘escola sem partido’ afeta Câmara de BH e colégio particular

11.10.2019

Após 15 dias de travamento por obstrução na Câmara Municipal de Belo Horizonte, o projeto Escola sem Partido deverá avançar para votação. No meio do caminho, emergiram desastrosos efeitos previamente inspirados pela matéria.

 

Como mau exemplo, a ação da presidente da Câmara, vereadora Nely Aquino (PRTB), que abriu mão da democracia e transferiu o diálogo e a interlocução com o cidadão para os seguranças da casa. Pagos com o dinheiro público, conversaram com estudantes, mulheres e sindicalistas do jeito que aprenderam: borduna. Enfim, cenas lamentáveis dentro da casa que era do povo e da democracia. Na falta de diálogo, de lideranças, baixa o cacete. É um filme já conhecido.    

 

O acordo para dar prosseguimento ao projeto que pretende limitar o debate e o conhecimento dentro das escolas públicas veio após a obstrução dos partidos contrários à proposta. Chegaram a um acordo para agilizar a votação de requerimentos que foram feitos para impedir uma votação sem debates.

 

Se de um lado, a obstrução alertou a sociedade, de outro, trouxe desgastes, com rebaixamento do debate e esse recurso falido de violência contra as pessoas.

 

Batalha será intensa

 

Ainda assim é tramitação de primeiro turno. A batalha estará presente em cada etapa, até eventual sanção do prefeito Alexandre Kalil (PSD), que já adiantou o que pensa sobre o projeto. Disse Kalil para quem quis, ou não, ouvir: “Uma bobagem, estúpido e idiota”. Os defensores do projeto não tugiram nem mugiram. Encolheram-se. O que não significa também que Kalil irá vetá-lo. Ele disse, como prefeito, “vou pensar”, mas, como pessoa, já disse o que pensa. Espera-se que não haja muita diferença entre um e outro. Kalil tem pensamento próprio e crítico, mas é também pré-candidato à reeleição. Como a política tem suas transformações, ele deverá medir os efeitos pro e contras de sua adesão a esse projeto do atraso.

 

O projeto Escola sem Partido busca determinar os limites da atuação dos professores da rede municipal de Belo Horizonte, impedindo que eles promovam o debate necessário ao crescimento intelectual e humano de estudantes, de modo a conhecer o direito ao contraditório e uma visão plural do conhecimento humano e da vida.

 

Em nenhum momento, cuida dos principais problemas da educação, referentes às condições físicas das escolas, segurança e condições salariais dos professores. Busca apenas a criminalização daqueles que tem o papel diário e construtivo de ensinar e preparar as crianças para o futuro.

 

Retrocesso e censura
Em uma frase, retrocesso rumo ao atraso civilizatório. Enfim, é a ideologização do ensino, que os conservadores acusavam de ser de esquerda, mas, na verdade, criaram esse fake News para implantar a ideologia do atraso. Em uma palavra, censura (falar mais não precisa).  

 

Antes mesmo de ser aprovado, os primeiros sinais negativos da influência desse tipo de ideologização se deu em uma escola particular e de ricos de BH. Antes de ser aprovado e, se for, seria aplicado apenas na rede pública.

 

No colégio Loyola, de BH, pais se manifestaram contra questões de prova. Houve reação de outros pais, alunos, ex-alunos e professores. A direção da escola optou pela omissão, reagindo medrosamente e sem postura institucional. Se é pra ensinar, nessa, o tradicional Loyola ficou devendo. Vamos ter que aprender com as ruas mesmo (como fazíamos naqueles outros assuntos).

 

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