Bolsonaro chega aos 100 dias em queda de popularidade e demite o 2º ministro

09.04.2019

A semana foi aberta com essa indagação: Como foram os primeiros 100 dias de Bolsonaro, na presidência, e de Zema à frente do governo estadual?

Como as avaliações podem ser diversas, dependendo de quem apoia ou reprova, as pesquisas buscam uma medição mais objetiva e científica para identificar os rumos do governo e, por consequência, os humores do brasileiro. Os primeiros sinais, de acordo com a pesquisa Datafolha, realizada nos dias 1 e 2 de abril e divulgada no domingo (7), são de que houve queda na popularidade do presidente Bolsonaro, não apenas por seu estilo polêmico, mas por conta daquilo que mexe com todos: a economia, seus rumos e perspectivas.

Isso é mais do que má ou boa vontade com um ou outro governante. Então, se o otimismo com a economia cai, a tendência é alguém ser responsabilizado, especialmente, aquele que foi eleito prometendo corrigir, ajustar e mudar a realidade econômica do país, mas que, três meses depois de sua posse, não houve sinais de melhora; pior, os indicadores são de queda também.

 

Um terço para o presidente

Com isso, o que se vê, agora, não é mais um país dividido entre quem apoia Bolsonaro e os que o reprovam. A coisa ficou ainda mais dividida, em três terços; um que apoia, outro que reprova e um terceiro que está ali em cima do muro, achando o governo mais ou menos, regular. O fato é que as consecutivas avaliações, e de vários institutos de pesquisas, é que a lua de mel do presidente com o eleitor está se dissipando rapidamente após a eleição e a posse.

O brasileiro, então, está se mostrando pessimista, logo no início da gestão Bolsonaro, com todos os três itens econômicos pesquisados: desemprego, inflação e poder de compra. Com isso, também cai a confiança. No campo político, Jair Bolsonaro completou 3 meses no governo e registra a pior avaliação nesse período de governo entre todos os presidentes eleitos para 1º primeiro mandato desde a primeira eleição presidencial após a redemocratização, em 1989: 30% dos brasileiros consideram a gestão atual ruim ou péssima.

 

Pior que antecessores

Com o mesmo tempo de governo, antecessores de Bolsonaro tiveram melhor desempenho. Fernando Collor (PRN) era reprovado por 19% em 1990; Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tinha 16% de índices ruim ou péssimo em 1995. Os petistas Lula da Silva e Dilma Rousseff eram mal avaliados apenas por 10% e 7% da população ao fim dos primeiros 3 meses de gestão.

Bolsonaro e seus seguidores veem com desdém e ironias os resultados da pesquisa. O próprio presidente criticou os dados e saiu às ruas, no domingo, para tentar provar o contrário, mostrando como é bem avaliado pelos populares, mas ficou só ali no entorno do palácio e de alguns pontos de Brasília.

 

Tom oficial deverá ser generoso

É preciso agir e ouvir os diversos brasis, como, por exemplo, fez ao confirmar, nessa segunda (8), a demissão do ministro da Educação, Ricardo Vélez, que tem sido reprovado até mesmo pelo governo. Esse foi o segundo ministro demitido em três meses; o primeiro foi Gustavo Bebianno, da Secretaria Geral da Presidência. Nessa quinta-feira (11), os ministros farão um balanço do que fez o governo nos primeiros cem dias, dando o tom da avaliação oficial. Como governo é governo, deverão ser mais generosos do que os frios números das pesquisas.

 

FOTO ANTONIO CRUZ/ABR: Bolsonaro dá posse ao novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, em cerimônia no Palácio do Planalto

 

 

 

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