Trégua não garante impulso à reforma da previdência

O verão acabou e, com ele, as chuvas de março, mas é bom avisar aos interessados que o inverno vem aí e promete instabilidades no momento em que a reforma da previdência começar a decolar a partir dessa trégua anunciada, na quinta (28), entre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seu governo com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), e boa parte do Congresso Nacional.

Como dizem lá, em Brasília, a crise vai viajar, a fábrica de crises ficará fora do país por três dias. Nada como uma viagem ao exterior para baixar a temperatura política com a ida do presidente, neste sábado (30), para Israel (como dizia o então senador FH sobre o governo Sarney, no final dos anos 80). Desde ontem, os bombeiros de plantão conseguiram controlar o princípio de incêndio entre o atual presidente da República e o da Câmara e que, ao final, como disse o próprio Maia, tudo não passava de brincadeira. O presidente estava brincando de governar, segundo ele. Tudo somado, com certeza, o próprio Maia entrou na brincadeira, enquanto o país, como sempre refém de Brasília, assiste às brincadeiras de mau gosto.

Ainda assim, não há garantia alguma de que, com a trégua, as coisas vão andar, que o governo vai parar de brigar e começar a governar. Por uma razão muito simples, Bolsonaro não vai mudar. Ele prefere navegar em ondas turbulentas do que deixar a impressão que cedeu e fez acordos com os políticos, classe da qual ele faz parte há 30 anos, e que estaria negociando ou cedendo. Ele e seus filhos continuarão com o dedo no gatilho das redes sociais, prontos para disparar a qualquer momento e desconstruir o pouco que, até agora, está sendo construído e acordado.

Enfim, depois de demonizar a política e os políticos, desde a campanha eleitoral, o presidente ainda não conseguiu distinguir o que é a boa da má política e a necessária e intransferível interlocução e diálogo com os outros poderes, o Legislativo e o Judiciário; a menos que o país deixe de ser uma democracia. Não é bom nem falar nisso, quando algumas pessoas acham, e outras começam a achar, que as Forças Armadas, ou alguém, deveriam comemorar a ditadura, o que, na verdade, implicaria festejar a tortura, exílio, desaparecimentos, mortes e outras violações que marcaram os 21 anos de ditadura no Brasil.

Não há saída para Bolsonaro e seu governo, para a sua reforma da previdência e a retomada do crescimento econômico fora da democracia. Acreditar nisso é apostar no caos e confirmar a incapacidade de solução dos nossos problemas, contrariando a expectativa de quem confiou e o elegeu para os próximos quatro anos. As pesquisas, em Minas, ainda apontam voto de confiança em Bolsonaro e no governador Romeu Zema (Novo), mas a paciência com os políticos não é algo fácil de se manter, sejam eles quem for.

FOTO AGÊNCIA BRASIL/ALAN SANTOS PR: O presidente da República, Jair Bolsonaro, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Jerusalém

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