Reforma de Zema só enxuga gelo e faz dele gerente de contas a pagar

08.02.2019

Como já assumiu a boa convivência com o PSDB, partido que derrotou no segundo turno e sempre o chamou de ‘velha política’, o governador Romeu Zema (Novo) apresentou, na terça (5), projeto de reforma administrativa ao estilo tucano, de apenas cortar cargos e reduzir secretarias, visando redução de despesas. Não conseguirá, com isso, reduzir o tamanho do monstro que é a máquina pública estadual.

Encheram a boca pra dizer que a economia será de R$ 1 bilhão em quatro anos, durante todo o mandato. Qualquer economia de dinheiro público é bem-vinda, mas essa é muito pequena. Para se ter uma ideia do tamanho, apenas a folha mensal com os salários dos cerca de 600 mil servidores estaduais custa R$ 3 bilhões. É bom repetir, gasto mensal é de R$ 3 bi.

A economia anual com a reforma é quase nada do ponto de vista dos números e da crise e menor ainda diante das mudanças necessárias que deveriam trazer mais eficiência ao governo, retomada da atividade econômica e aumento da arrecadação de impostos, especialmente do ICMS.

Após 40 dias de transição e 30 de governo, Zema não apresentou, até agora, como já dissemos aqui, nenhum projeto que justifique o chamado ‘novo’ de seu partido, que havia prometido fazer algo diferente na prática administrativa, capaz de tornar o estado mais eficiente e menos oneroso. 

 

Agora, com a mineração em crise, após as tragédias consecutivas e anunciadas de Mariana e Brumadinho, o governo continuará sem rumo em vez de buscar a diversificação da atividade econômica e regional do estado. Sem investir em seu turismo e nas novas tecnologias.

A reforma apresentada pode até funcionar bem, mas em qual direção? Essa é a pergunta que falta. Porque cortar só para economizar é muito pouco. O estado precisa voltar a crescer, atrair novas e grandes empresas e gerar muitos empregos. Fora daí, é enxugar gelo e gerenciar contas a pagar.

E mais, ficará dependente do governo federal, que, ao aprovar a renegociação da dívida de Minas com a União, na casa dos R$ 90 bilhões, dirá como o estado deverá ser governado. Ao tirar a autonomia estadual, exigirá que Minas abra mão da dívida do próprio governo federal com Minas, que ultrapassa os R$ 100 bilhões herdados da Lei Kandir, aquela que, há 23 anos, exonerou os produtos de exportação desde setembro de 1996. Ou seja, Minas terá que abrir mão da ação judicial que faz essa cobrança.

Outras medidas imporão a venda de estatais, aumento de contribuição previdenciária dos servidores, adesão ao teto de gastos, etc. Tudo somado, o pacote de maldades vem aí com força total e, para se defender, o governador terá desculpas por algum tempo, afinal, herdou um déficit de R$ 11 bilhões, que deve ser, na verdade, de quase R$ 30 bilhões, deixado pelos governos anteriores e agravado no último, de Fernando Pimentel (PT). São argumentos fortes, mas é preciso fazer e mostrar algo mais, porque, desde a campanha, todos sabiam dessa situação.

 

FOTO HENRIQUE COELHO/BHAZ: Zema herdou o déificit de Anastasia e Fernando Pimentel 

 

 

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