Intervenção nacional derruba presidente do MDB mineiro

O presidente nacional do MDB, senador Romero Jucá, pôs fim à crise interna do partido em Minas e confirmou a intervenção nacional, com a destituição do atual comando estadual. Com isso, o presidente e vice-governador Antônio Andrade deixa o cargo e, em seu lugar, assumirá uma comissão provisória presidida pelo deputado federal Saraiva Felipe. O ato de Jucá foi encaminhado, na tarde desta segunda-feira (16), aos presidentes do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luiz Fux, e do Tribunal Regional Eleitoral, desembargador Pedro Bernardes.

A comissão ainda é formada por outros dois deputados federais (Leonardo Quintão e Newton Cardoso Jr.) e quatro deputados estaduais João Magalhães (tesoureiro), Iran Barbosa, Tadeu Leite e Leonídio Bouças. As indicações foram feitas pelas próprias bancadas federal e estadual.

A definição põe fim também à paralisia que tomou conta da própria sucessão mineira. Antônio Andrade é, hoje, um desafeto do governador Fernando Pimentel, pré-candidato à reeleição pelo PT. O pedido de intervenção foi feito conjuntamente pelas duas bancadas do MDB, 13 deputados estaduais e seis federais, após a renúncia coletiva de 50% dos membros do diretório estadual, o que, pelo estatuto do partido, configura autodissolução da executiva estadual. Sendo assim, o comando nacional teria que indicar uma comissão provisória, como acabou fazendo.

Antônio Andrade tentou em vão reagir. Preparou ação para recorrer ao Judiciário, marcou reunião da executiva estadual para esta segunda (16), com o objetivo de definir a data da convenção partidária e escolher os candidatos, e espalhou faixas pela capital mineira, afirmando que as bases do MDB não aceitariam mais aliança com o PT e que queriam candidatura própria. Não teve sucesso em sua resistência, porque ficou isolado e também porque o Judiciário também não costuma se meter em brigas internas de partido.

Mas por que a sucessão mineira parou por conta disso? Por que interessa a muita gente o destino do MDB, o partido que é dono de um dos maiores tempos de TV na campanha eleitoral. Em primeiro lugar, para os deputados do MDB que formam uma das maiores bancadas mineiras no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa. Se não fizerem uma boa coligação com partidos que possam lhes ajudar, os deputados não conseguirão se reeleger, ou seja, não seriam reeleitos. Isso é a última coisa que a direção nacional quer, porque ter deputados federais é a garantia de sobrevivência do próprio partido, que ganha mais dinheiro do fundo partidário e eleitoral e tempo de televisão na campanha eleitoral.

Em segundo lugar, a queda de Andrade permitirá que o MDB defina se terá candidato próprio ao governo mineiro ou não; se vai aliar-se a outro partido e a outra candidatura. O PT do governador Fernando Pimentel é o maior interessado nisso, já que eram aliados até dois meses atrás. Com a adesão do MDB, Pimentel passaria a ter o maior tempo de televisão, mais de 5 minutos. Estão também interessados nesse tempo de televisão, os pré-candidatos a governador Márcio Lacerda (PSB) e Rodrigo Pacheco (DEM). Com a queda de Andrade, o PSDB é o que mais perde, pois, sem ele, não há quaisquer chances de aliança com o MDB.

FOTO REPRODUÇÃO BHAZ/Câmara dos Deputados: Saraiva Felipe é nomeado como novo presidente do MDB mineiro

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