Com Dilma, Pimentel vai nacionalizar a sucessão contra Anastasia

25.05.2018

Se os tempos eleitorais são de perdas e ganhos, o governador e pré-candidato à reeleição, Fernando Pimentel (PT), está convencido de que fez negócio melhor ao manter a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em sua chapa, como futura candidata ao Senado, do que se sacrificar para manter a aliança turbulenta do MDB que viabilizou seu governo até agora. A razão maior está na estratégia eleitoral que adotará, de nacionalizar a campanha estadual, para enfrentar, novamente, os rivais de sempre, que são os tucanos. “Ela será a salvação do Pimentel”, vaticinou um aliado, referindo-se aos temas que estão na ordem do dia do cidadão, desde a crise de abastecimento à privatização de empresas públicas.

A tática tem um duplo objetivo. Primeiro, claro, deixar em plano inferior, ao mesmo tempo em que tenta minimizar, os graves problemas administrativos de sua gestão; segundo, vincular os tucanos à crise nacional, deixando na conta deles a responsabilidade pelo desastre gradual e acentuado do desgoverno Michel Temer (MDB). De acordo com a narrativa petista, a presença da ex-presidente, principal vítima do impeachment/golpe, puxará o debate para o nível federal da crise, além de contrapor e confrontar o senador e pré-candidato Antonio Anastasia (PSDB), que foi o relator do impeachment articulado pelo senador Aécio Neves (PSDB), hoje, abatido pelas denúncias de envolvimento em corrupção gravada e filmada. Provavelmente, por isso, Aécio não disputará a reeleição, deixando de reeditar o duelo com Dilma.

Se o desfecho da ação tucana levou o país ao governo Temer, nesta semana, o protesto dos caminhoneiros paralisou tudo, desde a economia ao básico direito de ir e vir. Não foi à toa que Pimentel foi o primeiro governador a decretar ponto facultativo nesta sexta-feira (25). O ato, por si só, expõe a crise nacional, acentuando a impopularidade do atual presidente, o risco de desabastecimento e de colapso no transporte público. Assuntos como a reforma da previdência, que apavora o brasileiro, será provocado na campanha eleitoral para desespero dos atuais deputados federais que se posicionaram a favor. Ao tentar tirar o foco de seus problemas estaduais, os petistas insistirão em apontar que Dilma foi vítima do “Brasil antigo”.

Anastasia, por sua vez, irá explorar a presença de Dilma de outra forma. Na tática tucana, ela representaria o fiasco petista na gerência administrativa e das contas públicas em Minas e em Brasília. Tudo somado, ela e Pimentel encarnariam o desastre das contas públicas nacionais e estaduais.

 

FOTO OMAR FREIRE/IMPRENSA MG 28/04/11: Ex-presidente Dilma puxará o debate sucessório em Minas para o campo nacional

 

 

 

 

 

 

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