Adalclever demite petistas e sinaliza que irá prosseguir com impeachment

Havia boatos no final da semana passada que acabaram por se consumar, no sábado (5), com a demissão de quase 60 pessoas ligadas ao PT na Assembleia Legislativa de Minas. A maioria absoluta estava lotada no gabinete da Liderança do Governo, comandado pelo deputado Durval Ângelo. Tudo feito sem consulta prévia, como se o presidente da Casa, Adalclever Lopes (MDB), estivesse mandando recado do tipo que não está na brincadeira nesse crise aberta com o governador Fernando Pimentel (PT), quando autorizou a abertura do processo de impeachment do petista.

Tudo isso aconteceu como uma prévia do que será esta semana, quando será analisado, pela Mesa Diretora da Assembleia (leia-se Adalclever), o pedido para anular ou não processo de impeachment do governador. As demissões são sinais de retaliação e enfrentamento, em favor do prosseguimento do rito do impeachment, caso não haja mudanças até lá. Ou seja, a bola estaria com Pimentel e aliados na busca da recomposição e pacificação.

O clima na Assembleia é, hoje, de perplexidade entre governistas e oposicionistas. Ninguém fala nada ante, preferindo cumprir a lei do silêncio para não engrossar o azedume. Apesar do clima e da radicalização, a recomposição seria possível, porque o passo definitivo, e sem volta, seria a continuidade do processo de cassação. Aí, teríamos aquela guerra autodestrutiva entre PT e MDB de, exatamente no período eleitoral, gastarem suas forças nessa briga, que só irá favorecer a oposição.

Que o governo tem problemas administrativos sérios, não há dúvida. Não tem dinheiro para acabar com os atrasos nos repasses aos poderes, especialmente ao Legislativo, aos municípios, com quem tem dívida bilionária, e acabar com o parcelamento dos salários de boa parte dos servidores. Enfim, há uma crise financeira que marcou, tem marcado toda essa gestão.

Tanto é que mais de 160 municípios já moveram ações judiciais, apoiadas pela Associação Mineira de Municípios (AMM), contra o Governo do Estado para receber os repasses atrasados, com multas e correções monetárias. O primeiro município com decisão favorável, em primeira instância, foi o de Paracatu, no noroeste mineiro. Outra vitória da AMM foi conseguir as liminares positivas concedidas a 12 municípios. Das decisões, ainda cabe recurso à segunda instância.

Essa crise financeira, então, é agrava agora com a crise política, que não deixa antever desdobramentos e desfechos. É aquela máxima, se está ruim, pode piorar. Então, a partir desta terça (8), o presidente da Assembleia, Adalclever Lopes, tem nas mãos o poder de dar continuidade ou encerrar a crise. Até o momento, os sinais de fumaça são de guerra.

FOTO Sarah Torres: Baixaram a lei do silêncio na Assembleia Legislativa

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