Kalil perde maioria e manda retaliar vereadores ‘infiéis’

22.11.2017

Onze meses após a posse, a lua de mel de início de mandato começa a se desfazer na era Kalil. O prefeito que não era político decidiu jogar o jogo duro do poder depois que perdeu a maioria qualificada no plenário da Câmara de Belo Horizonte. Na primeira votação mais polêmica, teve só 24 fiéis entre os 41 vereadores no projeto substitutivo (378/17) que limitou e reduziu direitos dos servidores conquistados há mais de 20 anos (quinquênio, licença para acompanhar doença de familiar e férias-prêmio). Entre os 15 votos contrários, havia muitos aliados (ou ex-aliados).
Menos de 24 horas depois da votação, veio a retaliação: os ‘infiéis’ deverão ser tratados como oposição. Pior: de acordo com email despachado pelo gabinete do prefeito, todos os secretários estão proibidos de receber esses vereadores, como Juninho Los Hermanos (PSDB), Doorgal Andrada (PSD), Fernando Borja (Avante) entre outros que ficaram contra. Estão riscados da base aliada e seus compromissos e audiências junto à prefeitura estão cancelados, assim como os 20 quebra-molas que já estavam autorizados. 
O prefeito que se dizia ‘não político’ negocia o tempo todo e deixou claro, em sua reação, que, mais do que um recado, quem vota contra é inimigo. Além dos ‘infiéis’, havia entre os 15 que votaram contra os independentes e a esquerda (PT/PCdoB/Psol), que, além de votar contra, ensaiou em plenário, pela primeira vez, um ‘fora Kalil’. 
Tudo somado, ficou claro que a maioria do prefeito não é suficiente para aprovar projetos que exigem maioria qualificada, de 28 votos, como plano diretor, aumento de passagem de ônibus, entre outros que virão. Com a retaliação, os vereadores terão dois caminhos, o da subserviência ou a independência, até que, quem sabe, novo email dê a contraordem.
Perante os servidores, também houve quebra de expectativas. Como dizia um cartaz que um servidor exibiu na galeria: “em vez de ‘Karinho”, Kalil dá ‘Kacetada’”. Por duas razões. Primeiro, pela forma como foi conduzida a votação. A pretexto de correção inflacionária de 2,53% nos salários, a prefeitura mudou/emendou o projeto, poucas horas após a aprovação em primeiro turno, mexendo no estatuto do servidor e reduzindo benefícios, como já fizeram governo estadual e federal. Sem quaisquer negociações. Em compensação, se livra agora de uma herança de R$ 180 milhões da gestão anterior sobre as férias-prêmio dos servidores. 
As principais alterações em relação ao estatuto serão as seguintes: o servidor poderá contar o tempo de serviço exercido apenas em Belo Horizonte, para feito de adicional (quinquênio); anteriormente a contabilização era em qualquer estado, município ou na União. O acompanhamento de parente com doença passa a ser apenas para familiares de 1º grau, antes podia ser de qualquer grau. O tipo de enfermidade que antes podia ser qualquer uma, agora passa a ser limita dentro das listadas no projeto. Sobre as férias-prêmio, a prefeitura passa a ter prazo de cinco anos para conceder as férias prêmio e 90 dias para pagar em dinheiro, caso o servidor não tenha o benefício concedido dentro do prazo ou por doença grave. Antes do rompimento definitivo, sindicalistas lançaram a campanha #vetaKalil378.

FOTO  DIVULGAÇÃO: Servidor diz que Kalil trocou o “karinho” pela “kacetada”

 

 

 

 

 

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