Temer deixa hospital, mas seu governo terá só 4 meses de sobrevida

27.10.2017

No mesmo dia em que entrou e saiu de hospital por conta de um mal-estar, Michel Temer deixou o CTI da política por uma operação política que lhe salvou o mandato. Por 251 dos 513 deputados federais contra 233 desfavoráveis, o presidente se livrou, pela 2ª vez, do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), onde foi denunciado por obstrução de justiça e organização criminosa. Por outro lado, a sobrevida conquistada é de apenas quatro meses. 
Sem a possibilidade de sofrer cassação, o governo Temer entra agora numa rota de contagem regressiva. Se conseguir apoio parlamentar para votar projetos de ajuste fiscal e reformas, terá que fazê-lo nos meses de novembro e dezembro deste ano; janeiro é de recesso, restando ainda fevereiro e março para votações. A partir de abril, o país será tomado pela agenda eleitoral, no qual pré-candidatos à sucessão presidencial de 2018 serão o centro das atenções. 
No mesmo período, os atuais deputados federais e senadores ficarão naquele recesso branco, sem dar quórum, viajando para suas bases (interior) a fim de garantir a própria reeleição. Não será fácil reuni-los em Brasília, muito menos em torno de pautas azedas e impopulares. O próprio governo sofrerá baixas daqueles ministros que irão disputar as eleições, razão pela qual terão que se desincompatibilizar (deixar o cargo).
Já na segunda votação da denúncia (25/10), Temer perdeu apoio em relação à denúncia anterior, por corrupção passiva. Na sessão que derrubou a 1ª denúncia, 263 deputados decidiram apoiar o presidente; agora, perdeu 12. Não quer dizer que esse mesmo desempenho se repetiria em votação de reformas, até porque a maioria ali as apoia. Os 23 dos 43 tucanos que votaram contra Temer, provavelmente, dirão sim a essas mudanças.
A seu favor, o governo ainda tem os recursos das medidas provisórias (MPs) para fazer o ajuste fiscal em vez de fazer projetos de lei. A pressa (MP impõe validade imediata) tem relação com o prazo (30 de outubro) para incluir o ajuste no orçamento do ano que vem. Ainda assim, matérias como a polêmica reforma da previdência teriam dificuldades de avanço diante do desgaste que a chegada do ano eleitoral traria. 
O mais provável é que ele sofra um enxugamento na proposta original de forma a aprovar algo como a idade mínima (65 anos) para se aposentar e regras de transição. Se muito. 

FOTO Luís Macedo/Agência Câmara: Deputados federais votam a segunda denúncia contra Temer

 

 

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