Dória gera mal-estar na Assembleia e na PBH

Depois que deputados estaduais rejeitaram, em comissão, a concessão de título de cidadão honorário de Minas ao prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), vereadores de Belo Horizonte já se movimentam para homenageá-lo com o título municipal. Como aconteceu na Assembleia Legislativa, a notícia provocou mal-estar no gabinete do prefeito Alexandre Kalil (PHS), que sempre fica aborrecido quando fazem comparação de seu estilo com o do colega paulistano.

Na Assembleia, deputados estranharam a iniciativa do líder da oposição, Gustavo Correa (DEM), que requereu o título de cidadão honorário para João Dória, desconfiando de possível infidelidade dele ao tradicional aliado, o senador mineiro Aécio Neves, também do PSDB, mas em conflito com os paulistas. Correa contesta e diz que o gesto dos colegas foi desmedido e desnecessário, por isso, ele vai recorrer à Mesa Diretora para reverter o veto. Se for bem-sucedido, a homenagem terá que ser sancionada pelo governador Fernando Pimentel (PT). Mais uma saia justa, mas que deve ficar em nível institucional apenas, sem o ranço ideológico ou eleitoreiro.

A proposta foi rejeitada por quatro votos a dois na Comissão de Administração Pública, na quarta (23), pelos deputados governistas João Magalhães (PMDB), Agostinho Patrus Filho (PV), Arnaldo Silva (PR) e Cristiano Silveira (PT). Os votos a favor foram de Dirceu Ribeiro (PHS) e Sargento Rodrigues (PDT).

Os petistas avaliam que não há justificativa para a homenagem, que Dória não fez nada por Minas para merecer e que ele é pré-candidato presidencial e, ainda, que faz isso só para se promover. Gustavo Correa contesta, citando ações de Dória para Minas quando foi presidente da Embratur (anos 90) e aproveitou para criticar o estilo de governar do PT, comparando-o ao do paulistano, que, segundo ele, é ágil e moderno, mas que, por sua vez, é muito criticado pelos petistas.

A rejeição da homenagem, é claro, foi política, porque rapapés como esses, seja de quem for, tenham feito ou não algo por Minas, não costumam ser barrados. No ano passado, foi barrada também a proposta para que o juiz Sergio Moro fosse homenageado.

Esse tipo de polarização com radicalização tende a aumentar entre o PT e o PSDB e seus aliados. Há mais de 20 anos, como sabemos, ambos os partidos travam uma briga figadal e fratricida na política nacional e estadual. Lula também é pré-candidato em viagem pelo país, está ganhando títulos e vetos parecidos, como aconteceu na Bahia.

FOTO OS DIVERGENTES: João Dória

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