Velha política contém o tsunami que ameaça Temer

14.07.2017

Manobras de Michel Temer deixaram o placar em 2 a 1 para a finalíssima no dia 2 de agosto. Quais são os cenários possíveis e o que dá para adiantar?

Brasília continua a mesma e no mesmo lugar. Passam furacões, tsunamis, mas o incêndio já está controlado por meio dos bombeiros da velha política. Tudo como dantes no quartel do Abrantes. Sabendo disso, o que fez o presidente Michel Temer na operação salva-mandatos? Fez as manobras que ainda movem a decisão política apesar de tantas denúncias e reprovações da opinião pública. Jogou o jogo pesado do fisiologismo, liberou verbas e ofereceu cargos para se livrar do risco da perda de mandato.

Por isso, primeiro, ele e sua turma trocaram até 20 deputados na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), de 66 parlamentares. No placar anterior, estava perdendo de 32 a 30. Com o troca-troca, virou para 40 a 25. A oposição chiou e foi até o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a medida, como se tudo pudesse ser resolvido pela justiça, mas a oposição perde a causa quando faz o mesmo: o partido Podemos trocou um deputado que votaria a favor de Temer.

Tudo somado, Temer e aliados ganharam sobrevida na CCJ e só perderam na data da votação no plenário, onde pretendem liquidar a fatura. Queriam votar já, hoje ou na segunda, e tiveram que se contentar com o dia 2 de agosto, daqui a quase 20 dias. Pra quem estava em risco e ganhou sobrevida, continua arriscado pegar um efeito colateral de outras denúncias e delações (vide a do ex-presidente Eduardo Cunha, o homem-bomba). Não se pode esquecer que a política anda imprevisível depois das delações premiadas e investigações; as pedras e as máscaras estão caindo uma a uma, e a nuvem da política continua se movimentando.

Mas se nada acontecer até o dia 2 de agosto, digamos que, com o recesso que já começou, a calmaria volte por lá e a situação de Temer não se altere. Agora, Temer vai controlar tudo com mão de ferro. As manobras deram-lhe um biotônico e ele pode se manter resistente, blindado ante outras ameaças.

E a exigência do quórum qualificado para iniciar a votação, de ter 342 parlamentares presentes, pode ser boa ou ruim. A oposição estava apoiando para aumentar o desgaste de Temer e barrar as reformas. Por outro lado, se não conseguem o quórum e não votam, a denúncia vai perdendo força e a indignação que está movendo a política nessa fase de moralização e de passar a limpo.

A votação em plenário, se ocorrer, será nominal e aberta. Cada parlamentar terá o ônus de se manifestar ao microfone, se autoriza ou não o STF julgar Temer. A opinião pública de olho estará de olho aberto. Vida que segue.

 

Aécio e mineiros deram uma mãozinha

 

Dos nove deputados federais mineiros, seis apoiaram Temer, apenas dois ficaram contra e um se absteve (Rodrigo Pacheco) por ser o presidente da CCJ. Os que votaram a favor são Paulo Abi-Ackel (PSDB), Bilac Pinto (PR), Marcelo Aro (PHS), Carlos Melles (DEM), Toninho Pinheiro e Luiz Fernando (ambos do PP). Os contra foram Patrus Ananias (PT) e Júlio Delgado (PSB).

A maior força veio da mão do senador Aécio Neves, presidente afastado do PSDB, que havia sido salvo, na semana passada, pelo grupo de Temer no Senado, onde enterraram o pedido de cassação do mineiro. Foi escalado para relator no lugar do derrotado Sérgio Sveiter (PMDB/RJ), o mineiro Paulo Abi-Ackel, ligado a Aécio, que apresentou relatório favorável e foi aprovado pela maioria e, agora, vai a plenário dessa forma.

FOTO Marcelo Camargo/ Agência Brasil): Sob protesto da oposição, CCJ vota favorável a Temer

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