Delatado e denunciado, Temer ataca para não ser derrubado

28.06.2017

Como todos devem ter visto na terça (27), o presidente Michel Temer (PMDB) fez pronunciamento que soou como declaração de guerra para tentar permanecer no cargo. Convocou os aliados, às pressas e de última hora, buscando dar demonstrar força política - apareceu lá um monte de investigados -, e em vez de se defender da denúncia de corrupção passiva, Temer passou a atacar o acusador, uma tática antiga baseada na desmoralização do acusador. 

 

Ele se disse vítima de “ilações”, “revanche” e “vingança” e, em seu ataque, usou de ilações para lançar grave suspeita sobre o procurador-geral, Rodrigo Janot, de que ele poderia ter sido beneficiado por ex-assessor e ex-procurador (Marcelo Miller), que deixou o cargo para ganhar milhões com delações premiadas. Não apresentou provas de nada. E mais, insinuou que Janot, ao fatiar as denúncias, teria o objetivo de não deixá-lo governar, de paralisar o país.

 

Não há dúvida de que o fatiamento das denúncias em três - além de corrupção passiva, ainda tem a de lavagem de dinheiro e organização criminosa e obstrução de justiça - amplia o desgaste de Temer junto à opinião pública, onde ele tem pífia aprovação de 7%. E essa reprovação pode crescer de fora para dentro do Congresso Nacional, onde ele precisa de apenas 172 dos 513 votos para se livrar do processo de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e da denúncia.

 

Ou seja, repetir por três vezes esse mesmo placar não será tarefa fácil. Por isso, é que há uma ideia de esperar a chegada de todas as denúncias e unificá-las para fazer uma votação só, mas aí o STF pode não aceitar julgar o pacote de denúncias que foram desmembradas pelo procurador-geral.

 

As manobras políticas começam a ser feitas, como troca de membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que são rebeldes para os mais fiéis. Pode até trocar todos os 65 membros da CCJ, se fosse possível, mas, na hora em que chegar ao plenário, todos os 513 deputados federais irão votar, com a tv ligada ao vivo e em cores. Tem gente até pressionando para que seja em um domingo.

 

FOTO Agência Brasil: Com aliados, Temer faz pronunciamento

 

 

 

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