Política do avesso: “até a vaca está estranhando o bezerro!”

O mundo dos políticos está completamente do avesso com a exposição de seu modus operandi e virou um samba doidão. Ninguém mais se entende. A partir de 2015, por exemplo, o PSDB fez o que fez para derrubar o rival tradicional, o PT, ignorando a vontade popular, razão pela qual recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a chapa vitoriosa. E mais, conspirou até derrubá-lo.

Dois anos e meio depois, os tucanos aderiram ao governo do vice, eleito na mesma chapa que eles contestaram. Mais um ano se passou, e o PSDB decidiu manter o apoio ao atual presidente mesmo após as graves denúncias de corrupção contra Michel Temer (PMDB) e a maioria de seus ministros. Na tarde dessa terça-feira (13), essas consecutivas incoerências não foram alvos dos rivais costumeiros, mas de um próprio tucano, membro da direção estadual do partido, expondo a perplexidade que tomou conta da política.

Coube ao secretário-geral do PSDB mineiro, deputado João Vítor Xavier, atacar a decisão do partido em permanecer “no cambaleante governo Temer”. Segundo o parlamentar, ao decidir verticalmente, sem consultar as bases e a militância, o PSDB não seguiu os princípios democráticos e, “mais uma vez, cometeu incoerência e um equívoco em sua história recente”. “Uma incoerência o fato de o partido, há um ano, ter decidido participar do governo que pouco antes questionara judicialmente, ao pedir a anulação da chapa Dilma-Temer. Incoerência reforçada agora, com a decisão de permanecer nesse governo já morto, embora não sepultado”, disse ele, apontando ainda que a medida destoa das origens do PSDB histórico, dos ex-governadores paulistas Franco Montoro e Mário Covas.

“Lamento profundamente a decisão do partido de compactuar com um governo que não tem razão de ser ética e moral. O PSDB não perde a mania do caciquismo, distanciando-se das ruas em troca de espaço no governo. Isso é fisiologismo”, arrematou o tucano.

Nenhum colega seu de partido comentou o desabafo, mas a oposição, como não poderia deixar de ser, aproveitou para repercutir e dar coro à indignação de João Vítor. O deputado Cristiano Silveira (PT) reforçou a incoerência dos tucanos e seus aliados, pelo fato de terem protagonizado a derrubada do governo Dilma e, em seguida, integrarem o governo Temer. “Onde estão hoje aqueles que clamavam contra corrupção vestindo camisas da seleção?”, indagou, lembrando que muitos que compõem hoje o ministério de Temer são investigados, réus e até condenados.

Silveira apontou ainda “o aprofundamento da crise política que vive o país, com as gravações e denúncias envolvendo o presidente Temer e o senador tucano Aécio Neves”. “Nunca vimos tantas pessoas no alto escalão envolvidas com tanta corrupção como agora”, condenou. Desta vez, os tucanos de plantão e aliados não reagiram.

FOTO Guilherme Dardanhan/ALMG: João Vítor detona o próprio partido da tribuna da ALMG

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