Desgraça de Aécio fortalece Pimentel

02.06.2017

Um dia, eles tentaram ser amigos e aliados políticos. Foi em 2008, quando elegeram o empresário Márcio Lacerda (PSB) a prefeito de Belo Horizonte. Depois, a política e os projetos políticos opostos de seus partidos, o PT e o PSDB, os separaram, e o distanciamento foi se tornando maior, mais radical e à beira de um rompimento. Passaram por outras três campanhas – prefeito, em 2012, governador, em 2014, e de prefeito, em 2016 -, quando trocaram farpas e acusações.

O petista Fernando Pimentel foi eleito governador, há quase três anos, e sempre apontou e culpou a herança tucana recebida pelas dificuldades de sua própria gestão. Liderados por Aécio Neves, senador e presidente nacional do PSDB, hoje afastado de ambos os cargos, os tucanos dominaram o estado por 11 anos, de 2003 a 2014.

Ainda assim, antes do afastamento, Aécio telefonou, no final de março último, para o deputado Gabriel Guimaraes, do PT menos radical, para que ele fizesse a ponte como o “amigo” governador. Foi tratado como “amigo” por Gabriel, mas não prosperou o possível entendimento. Aécio pedia para que o “amigo” governador segurasse os radicais de seu partido, em contrapartida, prometia controlar os seus nos ataques a Pimentel.

Um mês e meio depois disso, no dia 17 de maio passado, Aécio caiu em desgraça depois que grampos telefônicos o exibiram pedindo propina de R$ 2 milhões para o dono da JBS, Joesley Batista, para, segundo o tucano, pagar advogados. Seu primo, Frederico Pacheco, foi flagrado recebendo o dinheiro em quatro malas de R$ 500 mil. Por conta disso, sua irmã, Andrea, e o primo foram presos por envolvimento na operação. Ela, por ter iniciado a negociação; Pacheco por receber a grana e a repassá-la a um terceiro envolvido e preso, Mendherson Souza Lima, assessor do senador Zezé Perrela (PMDB).

Nesta sexta (2), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereceu denúncia contra o tucano no Supremo Tribunal Federal (STF) com base na delação dos empresários do Grupo J&F. Ele foi acusado de corrupção passiva e por obstrução de Justiça por tentar impedir os avanços da Operação Lava Jato. Janot também pediu a abertura de um novo inquérito para investigar o crime de lavagem de dinheiro. A irmã e o primo também foram denunciados.

Tudo somado, a desgraça de Aécio, ainda que um fato lamentável envolvendo um ex-governador e senador mineiro, irá favorecer politicamente, e muito, o governador petista. De imediato, de uma hora para outra, Pimentel ficou sem uma oposição orquestrada contra ele. Os deputados que lhe fazem oposição, cerca de 20 dos 77 da Assembleia Legislativa, perderam o fio condutor e a liderança tucana. Nenhum dos aliados defendem candidatura a governador pelo PSDB e o próprio partido admite que não o terá.

Além dessa desarticulação rival, Pimentel terá mais justificativa para manter seu discurso contra a herança recebida, que, segundo a área econômica, deixou o estado com um déficit de R$ 7 bilhões no orçamento de 2015. Seu antecessor, o governador Alberto Pinto Coelho (PP), que era vice do tucano Antonio Anastasia e o sucedeu nos últimos oito meses de gestão, contesta os números, atribuindo as dificuldades econômicas à crise política econômica do governo petista Dilma Rousseff (2011-2016).

Se não for impedido de concluir seu mandato e se recandidatar, em 2018, Pimentel tem poucos adversários. Até o momento, se preparam para a disputa os pré-candidatos Dinis Pinheiro (PP), ex-presidente da Assembleia Legislativa, e Marcio Lacerda (PSB), ex-prefeito de Belo Horizonte. Além das dificuldades econômicas e eventuais adversários, Pimentel terá que se defender junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) das acusações que lhe fez a Procuradoria Geral da República, de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, do período em que foi ministro do Desenvolvimento (2011/2014).

FOTO G1-GLOBO – Aécio, Lacerda e Pimentel estavam juntos em 2008

 

 

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