Mais do que a base, Temer depende de Rodrigo Maia

24.05.2017

A situação do presidente é cada vez mais frágil. Enquanto segura sua base aliada, ele se agarra ao formalismo para desmontar as acusações, mas não se defende do teor delas, porque, provavelmente, não há defesa. É como num flagrante. Começa por receber um sujeito investigado, com todo aquele histórico de financiar legal e ilegalmente os políticos, fora da agenda às 10 ou 11 da noite. Depois, aceitar aquele tipo de conversa, quando ele aparece ainda aprovando a compra de silêncio do Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e preso em Curitiba, e ainda de procurador, promotor etc. (FOTO ZH/RBS)

 

Então, é uma questão de tempo para ele sair. Tudo indica que ele quer encontrar uma saída menos traumática do que a renúncia, como, por exemplo, a cassação da chapa Dilma/Temer por conta do financiamento eleitoral. Assim, ele sairia sem explicar as denúncias das quais é acusado agora e ainda colocaria a culpa em Dilma pela cassação da chapa.

O julgamento está previsto para começar no dia 6 de junho e é uma das principais apostas de aliados que consideram a permanência de Temer insustentável.

A terceira alternativa, o impeachment dele, não iria pra frente se Temer mantiver o apoio mínimo de sua base governista e a fidelidade do presidente da Câmara. Para isso, tenta manter a todo o custo a governabilidade mínima para evitar o impeachment, que seria um processo também demorado. Só um grande rompimento da base deixaria ele mais nu, mais frágil do que já está.

Rodrigo Maia já engavetou três dos oito pedidos de impeachment que chegaram à Câmara desde a semana passada; mas até quando. Não se pode esquecer que, apesar de aliado, Maia é como aquele vice que todo mundo desconfia. Afinal se Temer sai, é ele quem assume, pelo menos por 60 dias, e ainda poderia se candidatar para presidente em uma eleição indireta.

A eleição direta também depende dele e da maioria parlamentar. Nesta terça (23), Maia manobrou para que a PEC das Diretas não fosse discutida na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Se houver pressão das ruas, ela poderá deixar de ser só bandeira da esquerda, mas aí, teríamos Rodrigo Maia na presidência por muito tempo. Quatro, cinco meses, até a aprovação das diretas e de suas regras, depois viria a campanha eleitoral para eleger o novo presidente.

 

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