Das ruas e da oposição, ‘fora Temer’ vai para dentro da Fiesp e da República


Todos agora estão falando que a saída deve ser pela via constitucional, até mesmo os ministros do supremo, que, na outra crise presidencial, envolvendo Dilma Rousseff (PT), não foram tão ativos. O fato é que a maioria está reconhecendo que a crise política e do governo chegou a um ponto de fervura insustentável e que até mudou de nome, agora atende por Michel Temer. O ‘fora Temer’, que agitava as ruas, deve entrar pra dentro do Congresso Nacional, do Judiciário e até mesmo pra dentro do próprio governo. Enfim, de toda a República. (foto Sensacionalista)

Quando o mercado acumular mais um dia de prejuízos e quedas, como aconteceu nesta quinta (18), e perceber que a manutenção do governo não irá controlar a crise, também vai gritar ‘fora Temer’, da Fiesp (a outrora poderosa Federação das Indústrias de São Paulo que liderou a derrubada de Dilma) até a mais modesta associação comercial. Basta ver os indicadores econômicos mais sensíveis aos rumos do governo e da política.

A renúncia é sim um ato unilateral, e Temer disse que não renuncia, mas o ex-presidente dos EUA Richard Nixon também dizia e acabou renunciando em 1974. O presidente diz que não renuncia e nem que não precisa de foro privilegiado. Não só ele, mas todo seu grupo pressiona e é dependente disso, porque, sem os cargos, todos cairão no colo do juiz federal Sérgio Moro.

Caso demore, ou não renuncie, a saída mais rápida deverá ser o julgamento da chapa Dilma/Temer, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deverá ser acelerado depois que Temer, de acordo com as mesmas gravações, constrangeu os ministros desse tribunal ao dizer que não será cassado porque “eles têm consciência política”. A terceira saída seria um processo de impeachment, com aprofundamento da crise, mas não haveria tempo para isso, embora oito pedidos tenham sido protocolados. Se for instaurado, cairá, porque, ainda nas gravações, provocou ele constrange também deputados e senadores, quando diz que, sem eles, estaria fu-fulminado.

Ou seja, morre pela boca. O governo está respirando por aparelhos. Resta saber quem irá autorizar a eutanásia. O Supremo deu o primeiro passo e autorizou a abertura de inquérito criminal contra o presidente para apurar os fatos "estarrecedores. O procurador-geral, Rodrigo Janot, ligou Temer a obstrução de Justiça, corrupção passiva e organização criminosa.

Além de tudo, ainda tem as ruas, que, assumindo o protagonismo da política, independentemente de ser de oposição ou não, deixará a crise ainda mais fora de controle, mesmo a bandeira das ruas de eleições diretas dependeria de mudança na atual Constituição nesse momento.

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