Homologação de delações Antecipa o ‘fim’ de 2017

10.12.2016

 

 

A surpreendente decisão da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, de homologar as 77 delações dos dirigentes da Odebrecht pode antecipar o fim do ano que sequer começou. Para o mundo político e forense, encerra-se hoje o período de férias e de calmaria, mas, a partir de agora e dessa decisão, a instabilidade política ressurgirá agravada com aquela sensação de que não haverá o amanhã para boa parte dos mandatários e das lideranças políticas. Os caciques estão ameaçados.

 

Ainda que o crime delatado seja do tipo caixa dois ou propina, não haverá tempo para distinções ou concessões. A simples citação na delação, mais do que rastro, deixará uma mancha inteira a derrubar reputações. A presidente da Suprema Corte teve o cuidado de, ao validar as delações, de mantê-las em sigilo até que o relator seja escolhido e conhecido, mas dificilmente não haverá vazamentos que carregam consigo algum tipo de condenação prévia, justa ou injusta. Ao manter o ritmo, ou dar mais celeridade, Cármen Lúcia sinaliza que não haverá concessões nem saída.

Com a iminente derrocada do mundo político, crescerá a “boa vontade” de muitos em contar o que sabem, desestabilizando projetos, planos de voo e lideranças do PSDB, PMDB e do PT, entre outros. Até o meio do ano, as investigações contra os poderosos seguirão guiadas pelas delações; no segundo semestre, haverá nova bateria de confissões das empreiteiras Camargo Correa e Queiroz Galvão. Não haverá alternativas para os envolvidos, citados e denunciados. Com isso, 2017 ficará comprometido, antecipando a chegada de 2018, se houver mesmo eleições, apenas com aqueles que sobreviveram ou com nomes não “queimados” pela prática finalmente desmascarada. Será a eleição dos novatos.


No Reino da Dinamarca
Citado nas delações da Odebrecht, o presidente Michel Temer não ficaria impedido de indicar o sucessor de Teori Zavascki, que, pela razão anterior, o julgará?

Alinhamento já
Para minimizar a catástrofe, o governo Temer trabalha fortemente para eleger aliados nos comandos do Senado e da Câmara dos Deputados nesta semana. Sem controle sobre o que virá nas investigações, o alinhamento do Legislativo é fundamental para enfrentar a outra crise, a econômica. São os presidentes que definem a pauta legislativa, o que será votado e quando será. Sem pautas-bomba, o governo Temer poderá ter alguma sobrevida, até porque as delações homologadas poderão sacrificar a carreira de vários ministros e abalar a base aliada.

Lá e cá
A instabilidade que assola o país não é exclusividade só de Brasília. O mundo todo mundo vive esse drama, como confirmaram os franceses no último domingo (29). Os candidatos tradicionais estão perdendo todas as disputas. Depois da desistência da recandidatura por parte do presidente François Hollande (PS) para eleições de março, seu primeiro ministro, Manuel Valls, perdeu a indicação dos socialistas. Até mesmo internamente nos partidos, os ventos de mudanças, seja elas quais forem, vêm com muita intensidade.

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